sexta-feira, 25 de março de 2022

Epilepsia

 

Olhar dos profissionais de enfermagem perante os pacientes de epilepsia.


26 de março, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, mais conhecido como Purple Day (Dia do Roxo), que conscientiza a população ao redor do mundo a respeito da síndrome. O chamado Purple Day foi criado em 2008 por Cassidy Megan, uma criança na época com 9 anos, que vivia em Nova Escócia, no Canadá, com a ajuda da Associação de Epilepsia da Nova Escócia (EANS). A menina escolheu a cor roxa para representar a epilepsia por causa da lavanda. Essa flor é geralmente associada à solidão, que representa os sentimentos de isolamento que muitas pessoas com epilepsia sentem....


O que é a epilepsia?


A epilepsia é uma síndrome que tem como características um conjunto de sinais originados de um grupo de neurônios disfuncionais que emitem descargas elétricas atípicas ou irregulares, podendo ser focais (conhecidas como parciais) ou generalizadas (quando atingem todo o cérebro).

As crises de epilepsia podem ser dividas em parciais ou generalizadas, sendo que as parciais atingem apenas uma parte do cérebro e as generalizadas afetam todo o cérebro.

As causas mais comuns da epilepsia não têm uma causa identificada, em torno de 55 a 65%. As demais têm origem em alguma doença cerebrovascular (10 a 20 %), tumores (4 a 7%), trauma (2 a 6%) e infecção (0 a 3%).

O diagnóstico é realizado pela análise dos sintomas e do exame físico. Também podem ser solicitadas análises complementares como o eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem. Uma vez identificada a disfunção, o tratamento já deve ser iniciado.

Tratamento


O tratamento da epilepsia é realizado através de medicamentos que evitam as descargas elétricas cerebrais anormais, que são a origem das crises epilépticas. Em alguns casos, acontecem crises incontroláveis, onde os pacientes são candidatos à intervenção cirúrgica.

O paciente pode apresentar lesões, dificuldade respiratória e capacidade mental diminuída. As lesões comuns incluem arranhões e contusões sofridas quando ele bate em objetos durante a crise e a lesão traumática à língua provocada por mordidas.

Se houver a suspeita de uma lesão grave, como uma fratura ou laceração, o profissional de enfermagem deve avaliar adequadamente e encaminhar para o serviço específico. Alterações na função respiratória podem incluir a aspiração, a obstrução das vias aéreas e hipoxemia....


Epilepsia: saiba o que evitar no tratamento da doença...


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Epilepsia é uma doença que acomete cerca de 50 milhões de pessoas ao redor do mundo. Há vários tratamentos eficazes que agem no controle dos sintomas, porém alguns outros procedimentos não devem aplicados. A campanha Choosing Wisely (Escolhendo com Sabedoria), da American Epilepsy Society, orienta cinco estratégias que devem ser evitadas ou questionadas no tratamento de pessoas que sofrem com o transtorno....


Confira os direcionamentos:


1. Evite monitoramento constante dos níveis de AED


A testagem dos níveis de droga antiepiléptica (AED) não deve ser aplicada periodicamente nos casos em que as convulsões estão sob controle e não há sinais de efeitos colaterais ou complicações. O monitoramento dos níveis de AED deve ser efetuado em casos específicos, como ajustes na dosagem de medicamento em crianças conforme o peso, suspeita de intoxicação e em mulheres grávidas.

2. Não trate mães potencialmente grávidas com Valproato se outros procedimentos se mostrarem eficazes


Como o Valproalto é associado a diversos casos de má-formação congênita ou aborto espontâneo, seu uso é desaconselhado se a paciente apresentar algum indício de gravidez. Se a aplicação do fármaco for realmente necessária, priorize as menores doses possíveis. Mulheres grávidas devem ser orientadas sobre os riscos do medicamento.

3. Eletroencefalograma (EEG) não deve ser usado periodicamente como parte do tratamento para síncope


O Eletroencefalograma pode dar negativo para muitos pacientes com epilepsia e também dar falso positivo em pessoas que não possuem o distúrbio, o que pode levar à prescrição errada do AED e atrasar o diagnóstico e o consequente tratamento da síncope. A recomendação é realizar testes para confirmar se o paciente tem de fato epilepsia.

4. Evite prescrição de fármaco antiepiléptico em pacientes em crises de abstinência aguda


Pessoas com crises de abstinência a álcool ou outras drogas não devem ser medicadas com remédios antiepilépticos. Ainda assim é importante identificar situações em que pode haver risco de ataque epiléptico, como disgnóstico anterior de epilepsia e convulsões em pacientes usuários de álcool mas que não estão sofrendo com crises de abstinência.

5. Não realize exames de imagem do cérebro após paciente com epilepsia sofrer crise compulsiva aguda


Exames desnecessários de imagem aumentam a exposição do cérebro à radiação, mesmo assim são realizados quando pacientes no início do tratamento sofrem convulsões. O exame deve ser cogitado em certas ocasiões como quando há convulsão proveniente de trauma ou quando os testes realizados na fase pós-ictal são inconclusivos.


Cuidados de Enfermagem


Os cuidados dos profissionais de enfermagem perante os pacientes portadores de epilepsia devem englobar tanto conhecimentos científicos relacionado à patologia, como o olhar do indivíduo como um todo, demonstrando o manejo adequado para o paciente, principalmente em casos de crises epilépticas, como ajudar a proteger o paciente contra lesões, aspiração e obstrução das vias aéreas durante a ocorrência de crises.

Para alterar o quadro atual, discriminatório e estigmatizado da epilepsia, é importante a educação da população, e em particular, dos profissionais da área da saúde devido ao efeito multiplicador de conhecimentos e atitudes gerados pelas suas ações.

O olhar da enfermagem, a informação, a orientação, a identificação dos tipos de aura e as precauções que devem ser tomadas frente às crises convulsivas representam fatores indispensáveis os quais o paciente epilético tem o direito de receber e a equipe de saúde a obrigação de oferecer enquanto cuidadores.

Em todas as situações, o enfermeiro deve atuar esclarecendo as dúvidas, mostrando-se compreensivo nas fases de descoberta da doença até a sua aceitação e adequação da melhor forma de tratamento. O uso correto das medicações anticonvulsivantes implica num fator indispensável para o sucesso do tratamento, uma vez que poderá melhorar a sua qualidade de vida.

Os pacientes com epilepsia devem ser estimulados a praticar o seu autocuidado, dentro das suas particularidades, assim como praticar exercícios físicos que não envolvam riscos desnecessários e cultivar hábitos de vida saudáveis.…



O que você não pode esquecer de informar seu paciente com epilepsia?…


Dando sequência à nossa série especial em epilepsia, apresentaremos informações importantes que devem ser transmitidas aos pacientes e familiares durante a avaliação médica.

Falaremos sobre epilepsia relacionada à direção, atividade física e atividades laborais. Outros temas frequentes podem ser vistos nos sites da Associação Brasileira de Epilepsia e Liga Brasileira de Epilepsia (como o que fazer diante de uma crise epileptica, para o leigo – ver referência no final).

Se você ainda não viu, não deixe de ler os demais artigos da série!  Sem mais delongas, vamos lá!...


Epilepsia e legislação de trânsito


Apesar de diversas condições médicas terem o potencial de levar a acidentes de trânsito em caso de descompensação (por ex. Hipoglicemia em pacientes com DM), a epilepsia é aquela em que há a legislação mais específica. Tal fato torna tanto paciente quanto medico assistente corresponsáveis em caso de acidentes. Deste modo, é imprescindível tanto informar o paciente dos riscos inerentes à sua condição quanto registrar em prontuário.

Antes de tudo, o paciente, para ser considerado apto, SEMPRE deve ter o parecer favorável do médico assistente, habilitação APENAS para categoria “B”, NUNCA ser motorista profissional.

Mas o que mais diz a lei?

As pessoas com epilepsia em uso de medicamento (grupo I), para serem consideradas aptas a dirigir deverão ainda: estar há um ano sem crises epilépticas, de qualquer tipo e ser plenamente aderente ao tratamento.

As pessoas com epilepsia em retirada de medicação por sua vez (grupo II) deverão: não ter EMJ; estar, no mínimo há dois anos sem crises epilépticas de qualquer tipo; retirada de medicação mínima de seis meses; e estar, no mínimo, há seis meses sem crises epilépticas de qualquer tipo após a retirada da medicação....


Quando o parecer do médico assistente for desfavorável, o resultado do exame deverá ser “inapto temporariamente” ou “inapto”, dependendo do caso. Quando considerados aptos no exame pericial, os seguintes critérios deverão ser observados:

1) Diminuição do prazo de validade do exame, a critério médico, na primeira habilitação;
2) Repetição dos procedimentos nos exames de renovação da CNH;
3) Diminuição do prazo de validade do exame, a critério médico, na primeira renovação e prazo normal nas seguintes para os candidatos que se enquadrem no grupo I;
4) Prazo de validade normal a partir da primeira renovação para os candidatos que se enquadrem no grupo II.

Epilepsia e atividade física


A prática de atividade física é sempre vista como positiva para a maioria da população, porém frequente motivo de dúvidas para quem tem epilepsia. Apesar de ter o potencial de melhorar a qualidade de vida de tais pacientes, alguns cuidados devem ser observados em relação ao risco de se praticar determinados exercícios.

Podemos, então, classificá-los em 3 grupos:

Grupo 1 Baixo risco
Grupo 2 Médio risco para os pacientes com epilepsia, nenhum risco para espectadores
Grupo 3 Alto risco para os pacientes com epilepsia e/ou para espectadores e devem ser evitados


Grupo 1 Atletismo (exceto salto com vara); dança; esportes coletivos de contato; esportes coletivos de quadra ou campo; boliche; tênis.
Grupo 2 Ciclismo; Skate; esportes coletivos de contato com risco potencial (boxe, karatê); levantamento de peso; natação; ginástica; hipismo; tiro ao alvo; tiro com arco; canoagem; salto com vara.
Grupo 3 Surf; Windsurf; aviação; mergulho; escalada; paraquedismo; velejamento sem acompanhante.


Epilepsia e atividades laborais


Os pacientes com epilepsia compensada podem e devem realizar as atividades normalmente, com o benefício adicional da manutenção da autoestima de tais indivíduos. Porém, quando descompensada, deve-se optar pelo afastamento das atividades associadas a maior risco de lesões para o paciente ou terceiros.

As atividades de alto risco são: as que envolvam trabalho em altura, motorista, babá, piloto, cirurgião, operador de máquinas industriais, trabalho junto ao fogo (cozinheiro, padeiro, bombeiro, soldador), guarda-vidas, mergulhador e quaisquer outros que em meio a uma possível crise, coloquem em risco a sua vida e de terceiros envolvidos.

Além disso, infelizmente, mesmo que não realize uma atividade de alto risco, os pacientes tem que lidar com questões extras que devem ser levadas em consideração como: efeitos colaterais das medicações (cognição, sonolência, tontura, náuseas, etc), medo de apresentar a crise epiléptica em ambiente público e demissões frequentes sem justa causa logo após apresentar as primeiras crises no ambiente de trabalho.

É fundamental, em todos os três casos citados, analisar as características da crise, o risco de recorrência, o diagnóstico de síndrome específica e a aderência e grau de compreensão do paciente, buscando sempre o equilíbrio entre autonomia e autoestima do paciente x segurança deste e para aqueles que o cercam....



Referências:

http://www.choosingwisely.org/societies/american-epilepsy-society/…


Capovilla, G., Kaufman, K. R., Perucca, E., Moshé, S. L. and Arida, R. M. (2016), Epilepsy, seizures, physical exercise, and sports: A report from the ILAE Task Force on Sports and Epilepsy. Epilepsia, 57: 6–12. doi: 10.1111/epi.13261.
Dúvidas Frequentes. Associação Brasileira de Epilepsia. Disponível em: https://www.epilepsiabrasil.org.br/duvidas-frequentes. Acessado em 17/03/2019.
Legislação do Detran. Liga Brasileira de Epilepsia. Disponível em: http://epilepsia.org.br/duvidas-frequentes/legislacao-do-detran/. Acessado em 11/03/2019.…


https://www.epilepsiabrasil.org.br/noticias/purpla-day-dia-mundial-de-conscientizacao-da-epilepsia
http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/50819-dia-mundial-de-conscientizacao-da-epilepsia
https://biblioteca.unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/graduacao/enfermagem/2007/dmcruz.pdf...


Fonte: https://pebmed.com.br/epilepsia-saiba-o-que-evitar-no-tratamento-da-doenca/


https://pebmed.com.br/o-que-voce-nao-pode-esquecer-de-informar-seu-paciente-com-epilepsia-purple-day/


https://pebmed.com.br/olhar-dos-profissionais-de-enfermagem-perante-os-pacientes-de-epilepsia-purple-day/


Foto: https://epilepsiabrasil.org.br/noticias/voce-sabe-como-ajudar-durante-uma-crise-convulsiva







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