quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Atrofia Muscular Espinhal (AME)

 

Atrofia Muscular Espinhal (AME)

 

O que é atrofia muscular espinhal?

A atrofia muscular espinhal (AME) é uma doença genética que causa a morte de algumas células específicas do nosso sistema nervoso, conhecidas como neurônios motores.1-4

A maioria dos neurônios motores estão localizados na medula espinhal e controlam o movimento dos músculos, principalmente das pernas e dos braços, e também outros músculos, o que nos ajudam a respirar e comer, por exemplo.1-3 Nós precisamos desses músculos para realizar movimentos como engatinhar, andar, sentar e controlar a cabeça.1

A AME é uma doença considerada rara que afeta aproximadamente 1 em cada 10.000 bebês nascidos em todo o mundo.1,3,4 Apesar de ser considerada rara, a AME (tipo1) tem um grande impacto social, pois é a principal causa genética de mortalidade infantil3


O que acontece sem os neurônios motores?

Sem o comando dos neurônios motores, os músculos se degeneram: perdem o tônus (se tornam hipotônicos), ficam cada vez mais fracos e acabam perdendo também a massa muscular (atrofiam).1,2

É daí que vem o nome da doença:

·         Atrofia (A): é o termo médico utilizado para diminuição do volume ou do tamanho, o que geralmente acontece com os músculos quando eles não são estimulados pelas células nervosas2

·         Muscular (M): já que a principal consequência da falta de sinalização dos neurônios motores é a fraqueza muscular2

·         Espinhal (E): a maioria dos neurônios motores que controlam os músculos estão localizados na medula espinhal2

 

O que causa a AME e quando ela começa?

A AME é causada por um gene anormal ou ausente, o gene SMN1. Esse gene é responsável pela produção de uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, chamada de proteína de sobrevivência do neurônio motor ou proteína SMN.2,4

A AME pode começar a se manifestar em diferentes fases da vida, mas os sintomas da doença geralmente aparecem nos primeiros meses após o nascimento. A idade em que os sintomas começam tem relação com o grau em que a função motora é afetada: quanto mais cedo a idade de início, maior o impacto na função motora.2,3 A fraqueza muscular é a principal característica e ela é progressiva, ou seja, piora com o tempo.2,4 Os tipos mais graves de AME podem afetar músculos envolvidos na alimentação e respiração e até levar à paralisia.1,3

 AME é transmissível?

Uma doença transmissível é aquela causada por agentes infecciosos, como bactérias, vírus, parasitas e fungos, que atingem uma pessoa suscetível.5

Como explicamos acima, a AME é uma doença genética e é hereditária, o que significa que é transmitida dos pais para os filhos através dos genes.1-4 Portanto, a AME não pode ser “transmitida” de uma pessoa doente para outra saudável, apenas de pais para filhos.5 

 AME tem cura?

Atualmente, não existe cura para a AME, mas existem tratamentos que podem ajudar a gerenciar a condição. O tipo de tratamento necessário dependerá do tipo de AME e da gravidade dos sintomas e inclui cuidados respiratórios, fisioterapia e controle nutricional, que podem melhorar os sintomas da doença e garantir melhor qualidade de vida. Felizmente, vários estudos e pesquisas estão em andamento para encontrar novos tratamentos.4


Referências:

1.    National Organization for Rare Diseases (NORD). Spinal Muscular Atrophy. Disponível em https://rarediseases.org/rare-diseases/spinal-muscular-atrophy/. Acesso em maio de 2020. 2. Muscular Dystrophy Association (MDA). Spinal Muscular Atrophy. Disponível em https://www.mda.org/disease/spinal-muscular-atrophy. Acesso em junho de 2020. 3. SMA Foundation. About SMA: Frequently Asked Questions. Disponível em https://smafoundation.org/about-sma/faq/. Acesso em junho de 2020. 4. Kolb SJ, Kissel JT. Spinal Muscular Atrophy. Neurol Clin. 2015;33(4):831 5. World Health Organization. Communicable Diseases. Disponível em https://www.afro.who.int/health-topics/communicable-diseases. Acesso em junho de 2020.

 

 

Diagnóstico da AME passo a passo

 

A menos que haja casos anteriores de atrofia muscular espinhal (AME) na família, o diagnóstico se inicia com o aparecimento dos sintomas ou sinais clínicos da doença.1,2

A suspeita é o primeiro passo do diagnóstico1-4

Muitas vezes os pais são os primeiros a ter preocupações com relação a alguns sinais, como achar que o bebê é ”molinho” demais, que tem pouca força ou apresenta dificuldades para mamar e em manter a cabeça erguida.3

O diagnóstico médico se inicia com um histórico detalhado da saúde da família e um exame físico completo da criança, que inclui uma avaliação dos marcos de desenvolvimento motor apropriados para a idade.3

O médico poderá suspeitar de AME quando a criança é notavelmente fraca ou apresenta um atraso no cumprimento dos marcos do desenvolvimento motor, como não conseguir manter a cabeça erguida, rolar, sentar-se de forma independente, ficar em pé ou andar.3,4

Clinicamente, os bebês com AME apresentam:

·         Hipotonia, que é uma fraqueza causa “moleza” ou flacidez1-3

·         Fraqueza progressiva, afetando mais as pernas do que os braços1-3

·         Preservação dos músculos faciais1,2 e da interação, ou seja, a criança é capaz de acompanhar com o olhar e sorrir2, mas frequentemente apresenta fraqueza muscular bulbar (músculos da respiração, da garganta e pescoço)1

·         Fasciculações da língua, que levam a uma tremedeira na língua2,3

·         Fraqueza dos músculos que estão entre as costelas e auxiliam na respiração, o que resulta no peito em forma de sino e em uma respiração abdominal1,2

·         Reflexos profundos diminuídos (exame em que o médico utiliza um martelinho de borracha para bater levemente nos cotovelos e joelhos e verificar se há movimentos involuntários)2,3

 

Pode ou não ser AME...

É importante saber que a AME não é a única condição que pode causar fraqueza ou atraso nos marcos motores.3 Portanto, se o pediatra de seu filho suspeitar de um diagnóstico de AME é provável que ele encaminhe a criança a um neurologistaneuropediatra ou geneticista que poderá solicitar um exame genético para confirmar ou excluir o diagnóstico.4

Em pacientes que ainda não apresentam os sintomas (chamados de pré-sintomáticos), a suspeita clínica da AME ocorre quando há um histórico da doença na família.2 Pais que já tiveram algum filho diagnosticado com AME têm 25% de chance de ter outro filho com AME.5 Portanto, a realização do exame genético para verificar a presença de mutações é recomendada logo após o nascimento do segundo filho2  ou até no período pré-natal nestes casos em que já há um caso anterior de AME na família.4-6 O diagnóstico pré-natal possibilita que intervenções sejam realizadas antes do desenvolvimento dos sintomas, melhorando a qualidade de vida e o prognóstico dessas crianças.4-6

O diagnóstico definitivo de AME depende da confirmação do exame genético1-6

O diagnóstico conclusivo da AME é baseado em exame genético molecular.1,2,5 O exame genético para diagnosticar a AME analisa quantitativamente os genes SMN1 e SMN2.

Os principais métodos utilizados para realizar essa quantificação são:1-3

·         MLPA (do inglês, multiplex ligation-dependent probe amplification)

·         qPCR (do inglês, quantitative polymerase chain reaction)

·         Sequenciamento de próxima geração (do inglês, Next Generation Sequencing -NGS)

 

O que dizem os resultados dos exames?

·         A ausência de ambas as cópias do gene SMN1 confirma o diagnóstico de AME.1,2,3,5

·         Se apenas 1 cópia completa estiver presente e os sinais clínicos forem compatíveis com a AME, o gene SMN1 completo deverá ser sequenciado para procurar outras mutações.1,2,5

·         Se ambas as cópias completas do SMN1 estiverem presentes, é improvável um diagnóstico de AME, mas o gene SMN1 deve ser sequenciado na presença de sinais clínicos sugestivos de AME ou consanguinidade. Nesses casos, outros exames podem ser solicitados e outras doenças do neurônio motor também podem ser consideradas.1,2

 

Adicionalmente, o número de cópias do SMN2 também é quantificado, pois é um fator importante para prever a gravidade da AME.1-3,5


Referências:

1. Mercuri E, Finkel RS, Muntoni F, et al. Diagnosis and management of spinal muscular atrophy: Part 1: Recommendations for diagnosis, rehabilitation, orthopedic and nutritional care. Neuromuscul Disord. 2018;28(2):103 2.Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Portaria conjunta nº 15, de 22 de outubro de 2019. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Atrofia Muscular Espinhal 5q tipo I. Disponível em http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Portaria_Conjunta_PCDT_Atrofia_Muscular_Espinhal_5q_Tipo-I.pdf. Acesso em junho de 2020. 3. Cure SMA. SMA diagnostic toolkit. Disponível em https://curesma.org/wp-content/uploads/2019/08/smart-moves-toolkit.pdf. Acesso em junho de 2020. 4. Cure SMA. Testing & Diagnosis. Disponível em https://www.curesma.org/testing-diagnosis/. Acesso em junho de 2020. 5. Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (INAME). Genética e Diagnóstico. Disponível em https://iname.org.br/entenda-a-ame/genetica-e-diagnostico-ame/. Acesso em junho de 2020. 6. Burns JK, Kothary R, Parks RJ. Opening the window: The case for carrier and perinatal screening for spinal muscular atrophy. Neuromuscul Disord. 2016;26(9):551-559.

 

 

AME requer diagnóstico urgente

 

Como a AME é uma doença rara e os sintomas que aparecem inicialmente podem se assemelhar a outros distúrbios neurológicos ou musculares, a criança e a família podem enfrentar uma longa jornada até o diagnóstico.1 Se os sinais de AME não forem reconhecidos, podem acontecer idas e vindas a diferentes médicos e a realização de muitos exames sem que haja a confirmação de um diagnóstico.1,2

Atraso de diagnóstico na AME: quais os riscos?

De fato, muitos estudos indicam um atraso significativo no diagnóstico da AME, o que costuma variar de acordo com a gravidade (tipo) da AME.1

Além de todo estresse, ansiedade, frustração e insegurança que a demora de um diagnóstico pode resultar2, é importante enfatizar que a AME é uma doença neurodegenerativa e que a perda de neurônios é contínua e progressiva desde o nascimento, caso não haja intervenção.3 A morte dos neurônios motores é irreversível, e sem eles, atividades como andar, comer e até respirar podem ser significativamente prejudicadas.4

A AME tipo1 é a mais grave, e a morte dos neurônios é irreversível3,5

O tratamento precoce tem um grande impacto tanto nos resultados motores como na expectativa de vida. Quando as terapias são iniciadas antes da perda ou dos danos nos neurônios motores, é possível retardar a progressão da doença, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a sobrevida.3

Portanto, o diagnóstico de atrofia muscular espinhal (AME), especialmente a do Tipo 1, é uma urgência, sendo a AME ainda hoje uma das principais causas genéticas de morte em bebês.5

Sob suspeita de AME, não hesite em procurar um especialista, e saiba que o exame genético é essencial para obter um diagnóstico decisivo.5


Referências:

1. Lin CW, Kalb SJ, Yeh WS. Delay in diagnosis of spinal muscular atrophy: a systematic literature review. Pediatr Neurol. 2015;53(4):293-300. 2. Lawton S, Hickerton C, Archibald AD, McClaren BJ, Metcalfe SA. A mixed methods exploration of families’ experiences of the diagnosis of childhood spinal muscular atrophy. Eur J Hum Genet. 2015;23(5):575-580. 3. Govoni A, Gagliardi D, Comi GP, Corti S. Time is motor neuron: therapeutic window and its correlation with pathogenetic mechanisms in spinal muscular atrophy. Mol Neurobiol. 2018;55(8):6307-6318. 4. Anderton RS, Mastaglia FL. Advances and challenges in developing a therapy for spinal muscular atrophy. Expert Rev Neurother. 2015;15(8):895-908. 5. Neurology Reviews. The urgent need for early diagnosis in spinal muscular atrophy. Disponível em https://www.neurologyreviews-digital.com/neurologyreviews/nr_cure_sma_1_dec_2019/MobilePagedArticle.action?articleId=1546448&app=false#articleId1546448. Acesso em junho de 2020.

 


Assunto: Diagnóstico e tratamento

 

Sinais e sintomas da AME e doenças neuromusculares

 

A atrofia muscular espinhal (AME) pode começar a se manifestar em diferentes fases da vida e apresentar sintomas bem variados, de leves a graves.1 A idade em que os sintomas começam tem relação com o grau em que a função motora é afetada, o que também caracteriza os diferentes tipos de AME. No geral, o principal sintoma é a fraqueza e atrofia dos músculos. Os músculos mais afetados são os mais próximos do centro do corpo, como os músculos dos ombros, quadris, coxas e pescoço.1,2 Normalmente, os membros inferiores (de baixo) são mais afetados que os membros superiores (de cima).1



Os sintomas mais comuns da AME incluem:

·         Fraqueza muscular: que leva à problemas no desenvolvimento motor1,2

·         Dificuldades respiratórias: que podem causar dificuldades para respirar, choro e tosse fracos2

·         Dificuldades para mamar e engolir (deglutição)1-3

·         Escoliose: uma curvatura espinhal anormal, devido à fraqueza dos músculos que normalmente sustentam a coluna vertebral1,2

 

Quanto mais cedo a doença inicia, mais graves são os sintomas1: pode variar de uma fraqueza extrema e paraplegia (perda da função motora dos músculos proximais) na infância a apenas uma fraqueza muscular leve na idade adulta.2 Para saber mais dos sintomas em cada idade, veja os tipos de AME.

Também é importante saber que o funcionamento sensorial, mental e emocional em quem tem AME é totalmente normal.Muitas crianças ou bebês são alertas, atentatos e ativos.2,3

Os sintomas da AME estão relacionados com a quantidade funcional de proteína de sobrevivência do neurônio motor (proteína SMN) presente nos neurônios motores. Quanto mais proteína SMN existir, mais neurônios permanecem vivos e, mais tarde os sintomas tendem a aparecer e mais brando é o curso da doença.1 Saiba mais em causas da doença e tipos de AME.

Será que meu filho tem AME? Conheça os sinais de alerta

Sinais e sintomas relacionados a atrasos no desenvolvimento do seu bebê podem indicar uma doença, como a AME.3

Por isso, é super importante estar atento aos comportamentos ou habilidades físicas como sustentar a cabeça, sentar, rolar, engatinhar e andar, adquiridas por bebês e crianças à medida em que os meses passam – os chamados marcos motores de desenvolvimento. Também é preciso ficar atento se seu filho perdeu a capacidade de fazer coisas que antes era capaz de fazer.3

Sempre confie em seus instintos. Se algo sobre o desenvolvimento do seu filho não parecer certo, não demore a procurar ajuda de um profissional, e não sinta culpa ou vergonha por buscar também uma segunda opinião, caso não esteja satisfeito.Você pode pedir o encaminhamento para um pediatra especializado nas doenças neuromusculares.

No caso de suspeita da AME, quais são os sinais que você deve estar atento?

·         Respiração muito rápida: a respiração do bebê parece muito rápida, somente a barriga se move, principalmente quando está deitado com a barriga para cima.3 A fraqueza da musculatura respiratória pode causar deformações no tórax, chamada de peito em forma de sino.2,3

·         Choro fraco: o choro do bebê é fraco (pode ser difícil de ouvir).3

·         Bebê “molinho” ou flexível: quando pega seu filho parece que ele vai escorregar. O bebê tem dificuldade em levantar a cabeça quando está deitado de bruços e não se contorce.2,3

·         Desenvolvimento dos movimentos (motor): o bebê não chuta ou não levanta as pernas quando está deitado. As pernas ficam frequentemente na posição de sapo e parecem fracas.2,3 O bebê não move a cabeça de um lado para o outro, não leva as mãos até a boca ou não alcança os brinquedos colocados na frente dele. O bebê pode ainda não conseguir rolar e nem se sentar.3

·         Dificuldades para mamar e se alimentar: o bebê pode perder a capacidade de sucção ao mamar.2 Também pode engasgar, tossir ou vomitar durante a alimentação. E após a alimentação, a respiração pode se tornar barulhenta ou chiada. Quando começa a se alimentar pode levar muito tempo para concluir as refeições.3

·         Tremedeira na língua: as chamadas fasciculações na língua podem levar a tremores ou tremedeira na língua do bebê.2

·         Crescimento lento: o seu filho pode parecer menor do que outras crianças da sua idade e não ganha peso adequadamente.3

 

Quanto tempo devo esperar se meu filho não se movimenta de acordo com seus meses de vida?

Os marcos de desenvolvimento são diferentes para cada faixa etária e há um intervalo normal em que cada criança pode atingir cada marco.  Mas fique atento! Existe um tempo máximo para cada situação ocorrer.4 Saiba mais sobre os marcos motores aqui.

Quando você sabe o que procurar, os sinais de um atraso motor podem ser fáceis de detectar. Se você notar alguma perda na capacidade do seu filho de fazer algo que antes ele era capaz de fazer, ou perceber que há algum sinal de atraso em seus movimentos, marque uma consulta com o pediatra imediatamente e relate tudo.3 

O diagnóstico precoce pode significar acesso a opções de tratamento que poderão salvar a vida de seu filho, além de trazer mais qualidade de vida. Converse com seu pediatra sobre suas preocupações.3

Doenças com sintomas parecidos aos da AME, mas com causas genéticas bem diferentes

Assim como a AME, outras doenças neuromusculares são caracterizadas por fraqueza e degeneração muscular, que pioram gradualmente ao longo do tempo e ocorrem devido a mutações genéticas.5,6 Por isso é fundamental buscar ajuda de um profissional especializado para que seja possível confirmar ou excluir a suspeita da AME, inclusive por meio de testes genéticos, quando necessário. 


Referências:

1. Muscular Distrophy Association (MDA). Spinal Muscular Atrophy. Disponível em https://www.mda.org/disease/spinal-muscular-atrophy. Acesso em junho de 2020. 2. Kolb SJ, Kissel JT. Spinal Muscular Atrophy. Neurol Clin. 2015; 33(4):831 3. Cure SMA. Know the warning signs. Disponível em https://www.curesma.org/smartmoves/know-the-warning-signs/. Acesso em junho de 2020. 4. Medline Plus. Developmental milestones record. Disponível em https://medlineplus.gov/ency/article/002002.htm. Acesso em junho de 2020. 5. Zayia LC, Tadi P. Neuroanatomy, Motor Neuron. [Updated 2020 Jan 24]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554616/. Acesso em junho de 2020. 6. National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS-NIH). Motor Neuron Diseases Fact Sheet. Disponível em https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Fact-Sheets/Motor-Neuron-Diseases-Fact-Sheet. Acesso em junho de 2020.

 


Assunto: O que é AME

Rede de apoio em AME: saiba onde buscar ajuda

 

Para tornar mais fácil a aceitação e a convivência com o diagnóstico da atrofia muscular espinhal, algumas organizações oferecem apoio aos pacientes e seus familiares. Isso engloba desde ajuda para lidar com as questões emocionais, troca de experiências, disponibilidade de informação de qualidade sobre a doença e serviços diversos.

Clique e saiba onde você pode buscar suporte para AME:

·         AAME: Amigos da Atrofia da Medula Espinhal

·         ABRAME: Associação Brasileira de Atrofia Muscular Espinhal

·         DONEM: Associação dos familiares e amigos dos portadores de doenças Neuromusculares

·         Espaço Viva Íris Terapias Neuromotoras

·         INAME: Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal

 

ATENÇÃO: Informação de caráter público

Para sugerir a inclusão de uma de uma associação de pacientes relacionada à atrofia muscular espinhal (AME), por favor, entre em contato com o Serviço de Informação ao Cliente (SIC) da Novartis, no telefone 0800 888 3003 ou infomec.novartis@novartis.com

Assunto: Rede de apoio

 

Fonte e Foto: https://conteudos.novartis.com.br/pt-br/atro%EF%AC%81a-muscular-espinhal

 

 





sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Isolamento Social

 Isolamento Social

 

isolamento social é o ato de separar um indivíduo ou um grupo do convívio com o restante da sociedade. Esse isolamento pode ser voluntário ou não. Quando há uma força maior, seja imposta pelo governo, seja por uma situação de guerra ou pandemia, ou até mesmo um toque de recolher provocado pela violência urbana, o isolamento é forçado. Quando o próprio indivíduo ou grupo se isola voluntariamente, por questões de saúde mental (em consequência de depressão, por exemplo), por questões pessoais ou por questões religiosas, há um isolamento social voluntário.

 

Causas do isolamento social


O isolamento social pode ser causado por motivos interiores ou exteriores ao indivíduo. Listamos a seguir as causas dos dois tipos de isolamento e suas variantes.

Obs.: O isolamento social é o ato voluntário ou não de se separar um indivíduo ou grupo do convívio social.

 

Causas do isolamento involuntário

  

·         Epidemias e pandemias

Quando há uma situação emergencial de epidemia em um país ou uma pandemia (quando a epidemia é generalizada e perpassa as fronteiras de um país, espalhando-se por outros continentes), há a imposição de um isolamento social por parte dos governos e dos líderes das nações. No caso da pandemia de coronavírus de 2020, por exemplo, os governos estão impondo quarentenas e distanciamento social, que opera por meio do fechamento de comércio, do transporte público e de escolas, por exemplo.

 

Obs.: O isolamento e o distanciamento social são medidas sanitárias contra a proliferação de doenças epidêmicas ou pandêmicas.

 

Nos casos mais severos, há a imposição de uma tática chamada lockdown horizontal, que é o isolamento total da população em suas casas com o fechamento quase total do comércio e dos serviços. Para saber mais sobre, leia: Isolamento vertical e horizontal.

 

 

·         Guerras

Quando uma guerra estoura em um local, como aconteceu em 2015, na Síria, há a imposição de um toque de recolher para que a população se feche em casa e não sofra as consequências diretas da guerra. Esse tipo de confinamento nem sempre é efetivo, visto que, em situações de guerra, existem bombardeios que destroem casas de civis.

 

·         Violência

Quando os índices de violência crescem repentinamente em uma região, há a imposição de um isolamento social via toque de recolher para que a população não fique exposta diretamente a casos de assalto, por exemplo. Assim, o toque de recolher pode ser imposto pelas autoridades ou mesmo pelas próprias pessoas, que se isolam por causa dos conflitos sociais.

  

→ Isolamento voluntário


·         Depressão e outras doenças psiquiátricas: quando as pessoas são acometidas por doenças como a depressão, transtorno bipolar, síndrome de boderline e outras comorbidades psiquiátricas, elas podem cair em situação de isolamento social. Nesse caso, o isolamento não é uma opção escolhida pela pessoa, visto que a doença não é uma escolha, mas dizemos que o isolamento é voluntário por não partir de uma situação exterior à própria pessoa.

 

·         Vontade: algumas pessoas simplesmente escolhem viver fora do convívio social por livre e espontânea vontade, sem nenhuma força maior que as obrigue ao isolamento.

 

 

·         Motivos religiosos: existem grupos religiosos, como os amishes, que optam pelo isolamento social do grupo para manter o que chamam de pureza religiosa da comunidade. Os amishes são cristãos ultraconservadores que não aceitam qualquer intervenção do mundo moderno, como a tecnologia, no seu cotidiano.

  

Consequências do isolamento

 

 O isolamento social, voluntário ou forçado, pode ter consequências graves para o estado mental de quem é submetido a ele. Para quem já sofre de depressão ou outras doenças, o isolamento social pode causar o agravamento da situação. Em casos extremamente graves, a depressão e outras doenças psiquiátricas, como o transtorno de ansiedade, podem levar ao suicídio.

 

Obs.: O isolamento social pode desencadear ou agravar doenças psiquiátricas.

 

isolamento social forçado também pode acarretar doenças psicológicas nos indivíduos. Quando a pessoa é forçada a ficar em casa, ela pode desenvolver um quadro de ansiedade generalizada, que pode evoluir para a depressão. As consequências desse isolamento, se não forem cuidadas, podem ser catastróficas.

 

 

Além das consequências isoladas e individuais, o isolamento social, quando imposto por motivo de força maior, pode também acarretar crise financeira. Quando a população para de circular nas ruas e consumir, o comércio e a prestação de serviços também param de funcionar. Isso provoca a queda extrema nas vendas e a falta de arrecadação. O Brasil, que ainda depende fortemente do comércio e da prestação de serviços, é um dos países que podem ser drasticamente afetados por um isolamento social grupal que provoque a queda no consumo.

 

Por Francisco Porfírio
Professor de Sociologia

 

Fonte e Foto: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/isolamento-social.htm#:~:text=Em%20casos%20extremamente%20graves%2C%20a,acarretar%20doen%C3%A7as%20psicol%C3%B3gicas%20nos%20indiv%C3%ADduos.

 

Compartilhado na página da "Luz da Enfermagem": https://aluzdaenfermagemrecife.blogspot.com/

 









quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Efeitos colaterais da Pandemia do COVID-19: A PSICOSE

 

Efeitos colaterais da Pandemia do COVID-19: A PSICOSE


Além dos vários possíveis danos à saúde física de quem contrai a covid-19, os riscos da pandemia à saúde mental preocupam especialistas. Entretanto, o impacto desta pandemia, em níveis econômicos é mais facilmente diagnosticado e por conseguinte, tratados, que os impactos causados à saúde mental de dezenas de milhares de pessoas. NESTE ARTIGO vamos chamar a atenção para os efeitos colaterais da pandemia do COVID-19.

Cenários de crises econômicas em nível global, empresas falindo, isolamento, desemprego, a própria ansiedade em relação à contaminação com a doença são alguns dos fatores que estão afetando nossa mente nos últimos meses e até o momento, não há uma data final para o fim.

Esta situação não é normal para o nosso cérebro, diz a pesquisadora Susan Whitbourne: “Estamos olhando para um abismo e não conseguimos ver em que ponto ele termina”, afirma. “Nossos corpos e mentes não estão acostumados a lidar com esse desgaste constante, que é a maior coisa que muitos de nós já enfrentamos”.

Enquanto algumas pessoas lidam com os desafios usando a criatividade, é normal sentir dificuldades, diz Whitbourne: “A pressão sanguínea aumenta, os processos cognitivos ficam mais difíceis, e você se vê distraído, aflito e ansioso”.  Tudo isso criar condições favoráveis ao desenvolvimento de psicoses, assunto tema deste artigo.

Quando falamos de doenças psiquiátricas ou de saúde mental, muitas vezes ouvimos o termo psicose ou pessoas psicóticas. O que muitos não sabem é que essa palavra tem um significado e valor médico importante. Entenda aqui, afinal, o que PSICOSE.

O que é uma psicose?

A PSICOSE, para a medicina, se traduz como uma síndrome neurológica, em que algumas partes do cérebro não estão funcionando normalmente, geralmente associadas à ação de um neurotransmissor nessas áreas, chamado dopamina. A dopamina tem inúmeras funções ao cérebro, sendo importante para a comunicação dos neurônios e atuando em diversos sistemas do organismo. Entretanto, o excesso de dopamina em algumas áreas do cérebro, ou o dano direto dessas áreas pode levar as pessoas a vivenciarem alucinações, delírios, alterações de personalidade ou pensamentos e comportamentos desorganizados.

O termo “Psicose” vem do grego, significa “estado mental anormal”. A psicose é um distúrbio da percepção da realidade; estado de psicose se caracteriza pela agitação, agressividade, impulsividade e outras alterações do comportamento.

OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA PSICOSE

Alucinações

 As Alucinações são percepções falsas de um dos sentidos. A alucinação auditiva é a mais comum, seguido, em ordem, pelo visual, tátil, olfatória e paladar.

As alucinações auditivas podem ser com uma ou várias pessoas falando, assim como música sendo tocada. São vozes que impõe ordens, muitas vezes mandam o paciente pular de uma janela ou ponte. A olfatória costuma estará associada a cheiros desagradáveis como vômitos e fezes. A alucinação visual pode ocorrer com objetos sem forma ou até com pessoas e animais. Pode se imaginar o corpo sendo tomado por inúmeros insetos ou a presença de pessoas no ambiente.

Podem também ocorrer alterações do equilíbrio e da propriocepção (noção do posicionamento espacial do próprio corpo).

Existem dois tipos de alucinações que são consideradas normais e que provavelmente já ocorreram com vocês: a hipnagogia e hipnopompia, que ocorrem na transição sono/vigília. O primeiro é aquela conhecida sensação de queda ao adormecer e o segundo são alucinações que ocorrem durante o processo de despertar.

Delírio (delusão)

São falsas crenças e convicções que se mantêm apesar de claras evidencias contrárias e da implausibilidade dos fatos. O mais comum é o delírio persecutório, no qual o individuo acha que há forças externas tentando prejudicá-lo, como conspirações, gás venoso na tubulação, comida envenenada, câmeras escondidas na sua casa, microchips implantados secretamente no cérebro, etc.

No delírio de ciúmes, o paciente está convicto que o parceiro(a) comete adultério e imagina evidencias em pequenas manchas nas roupas e alterações na posição do banco do carro. Tem certeza que o parceiro vai ao banheiro, não para urinar, mas sim para encontrar a amante dentro da cabine. Coisas absurdas. Nos delírios religiosos o paciente pensa ser uma divindade ou ter contato direto com Deus. Existem também delírios sobre abdução por ETs, clonagem, contato com mortos, etc.

Algumas pessoas famosas sofrem com delírios de fãs que imaginam ser suas amantes, que tem direito a decidir sobre aspectos de sua vida, etc. Geralmente, atentados contra pessoas famosas são movidos por um estado psicótico.

Para pessoas com delírio existe sempre uma lógica no seu pensamento, e nenhum argumento é capaz de convencê-lo do contrário.

Pensamento desorganizado

Alterações do discurso e comportamento bizarro. Incapacidade de formular frases compreensíveis. Conclusões ilógicas como “uma maça cabe dentro de uma caneta preta, mas não de uma azul”. Criação de palavras que não existem, interrupção de frases do meio, sem completa-las e frases com palavras desconectas.

Agitação e agressão

A agitação é um estado agudo de ansiedade, com aumentada atividade motora. Pode ocorrer pela percepção do paciente do quadro psiquiátrico através das alucinações ou alterações de pensamento. Atos de violência podem ocorrer nos delírios persecutórios.

O QUE CAUSA A PSICOSE?

A psicose não tem causa única, podendo ser causada por transtornos primários, ou seja, de doenças que surgem espontaneamente, ou ser secundárias a outras doenças.

Como causas primárias podemos citar:

Como causas secundárias, podemos citar:

  • Doses elevadas ou uso crônico de determinados medicamentos e drogas psicoativas;
  • Uso ou intoxicação por maconha;
  • Síndrome de abstinência de benzodiazepínicos, barbitúricos e bebidas alcoólicas;
  • Exposição a metais pesados com arsênico, mercúrio e chumbo;
  • Exposição a organofosforados (presentes em herbicidas e inseticidas);
  • Infecções no sistema nervoso central (encefalites);
  • Deficiência de vitaminas (folato, B12, tiamina, niacina);
  • Doenças autoimunes;
  • Doenças genéticas que afetam os cromossomos.

A psicose, portanto, não deve ser ignorada. Pessoas que sofrem com psicose devem ser acolhidas por profissionais da saúde para afastar possibilidades mais graves e receberem o tratamento devido. Agir com hostilidade ou de forma leiga com quem apresenta um estado mental delicado pode causar consequências mais graves. Fique atento!

Fonte:

https://www.mdsaude.com/psiquiatria/psicose/

https://psiquiatriapaulista.com.br/o-que-e-psicose-psicotico/

Foto: https://blog.paulatostes.com.br/efeitos-colaterais-da-pandemia-do-covid-19/




Saúde mental de profissionais de enfermagem na pandemia de coronavírus

 Saúde mental de profissionais de enfermagem na pandemia de coronavírus

 

Os profissionais mais importantes na assistência à saúde são os enfermeiros. Esses profissionais fazem toda a gerência da assistência, de pessoas, materiais, ou seja, promovem o cuidado em totalidade para as pessoas que necessitam. Nesse tempo em que vivemos uma profunda incerteza em todos os aspectos da vida, esses profissionais travam uma dura batalha contra um agente invisível que nos ameaça e nos mantém refém. Grandes são as modificações na sociedade, e enfermeiros e enfermeiras de todo mundo permanecem na luta diária pela vida.

Saúde mental durante coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em uso de suas atribuições, constituiu um guia para orientar cuidados a saúde mental de diversos grupos, incluindo profissionais de saúde. Para os trabalhadores da saúde, o estresse e a pressão de lidar com o ofício, acrescido do risco de adoecer, provocam severos problemas de saúde mental, aumentando o turnouver e a síndrome de burnout, além de gerar graves problemas como ansiedade e depressão.

Esses profissionais são um dos grupos de vulnerabilidade, já que o número de mortos entre profissionais da saúde causa preocupação para as autoridades.

A OMS orienta que os trabalhadores desse setor são pressionados com essa situação, sendo um sintoma normal, assim como o estresse associado, que muitas vezes paralisa, mas deve-se orientar o profissional que esses sentimentos são naturais, pelo momento que todos passamos, devendo esses profissionais receber apoio da gestão.

Por isso o gerenciamento da sua saúde mental é fundamental, seu bem-estar psicossocial nesse momento de crise torna-se fundamental.

Orientações à saúde mental dos profissionais

Cuide de você. Você é a pessoa mais importante no processo de cuidar. Lembre-se que se você não estiver bem, não poderá cuidar de outras pessoas. Lembre-se de fazer pausas e descansar entre os turnos de trabalho. Caso o serviço provoque necessidade de trabalhar mais horas, pela necessidade da crise, lembre-se de realizar mais pausas durante o período de plantão.

Tenha atenção com alimentos, mantendo uma dieta saudável, realize pausas para alimentação, assim como para descanso. Faça atividade física regular quando não estiver em ofício e mantenha contato com familiares e amigos por meio das redes sociais. Lembre-se de realizar o menor contato físico possível. Em caso de qualquer sintoma da doença, realize o imediato afastamento da sociedade e do ambiente de trabalho.

Os profissionais da enfermagem devem evitar formas errôneas de lidar com estresse, como utilização de álcool, tabaco, outras drogas, alimentos impróprios e alimentos ricos em açúcar. Essas condições levarão à piora do bem-estar físico e mental. Claro que essas recomendações servem para vida e não apenas para esse cenário, que é sem precedentes a qualquer outra situação vivida pela nossa faixa etária. Para os que possuem alguma experiência em situações de crise, busquem utilizar medidas já testada e aprovadas. Suas práticas de vida devem ser respeitadas, mas lembre-se de pensar em práticas onde não haja contatos.

Cuidado ao realizar visitas domiciliares ou procedimentos, só faça com os devidos equipamentos de proteção individua (EPIs). Não podemos deixar que a situação que enfrentamos fique pior. Utilize a tecnologia para se conectar com as pessoas, no atual cenário é a melhor forma e mais segura. Qualquer dúvida sobre a procedimento busque ajuda. Não realize qualquer cuidado em saúde se houver dúvidas quanto a sua proteção.

Os gestores podem ser grandes aliados, uma vez que recebem orientações diretas e atualizadas. Lembre-se sempre de confirmar as informações e observe as orientações do Ministério da Saúde. A insegurança pode comprometer sua saúde mental, atente-se.

Quanto à comunicação com as pessoas, seja sempre simples. Evite ruídos que possam causar repetições e excesso de mensagens. Muitas pessoas podem ter dificuldade de comunicação, por isso busque a comunicação escrita e oral, para gerar informações.

Busque orientações assertivas para pessoas que testarem positivo para Covid-19, oriente os recursos digitais possíveis. Lembre-se a tecnologia é uma aliada nesses tempos. Essas pessoas também vão precisar de apoio principalmente pelo isolamento social. Lembre-se que grupos podem ser criados entre profissionais e usuários do serviço por meio eletrônico. Esse dispositivo pode manter a assistência à saúde de muitas pessoas.

Burnout

Atente-se para os seguintes sinais e sintomas:

1.       Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo de forma constante ou relacionado a eventos ou atividades específicas;

2.       Excesso de preocupação, apresenta preocupação na maior parte dos dias ou relacionado ao trabalho ou segurança;

3.       Apresenta inquietação ou sente-se no limite, sentindo cansaço ou fadiga na maior parte do dia;

4.       Dificuldade de concentração, irritabilidade e tensão muscular ou prazer diminuído de realizar as atividades;

5.       Possui alterações do sono, podendo ser hipersonia ou insônia;

6.       Preocupação ou ansiedade que causam sofrimento clinicamente significante que geram incapacidade de realizar atividades sociais;

7.       Aumento do uso de álcool e outras drogas;

8.       Possuir lentidão ou agitação fora do normal;

9.       Afastamento social ou afastamento familiar;

10.   Disfunção sexual ou problemas com relacionamento com o parceiro;

11.   Esgotamento profissional e problemas relativos ao ambiente de trabalho;

12.   Apresenta fragilidade emocional sem motivo aparente.

A síndrome de burnout é muito comum e pessoas que permanecem em locais de trabalho por longas horas, acompanhado de uma grande carga de trabalho. É compreendido por Silva et. al (2015), como um esgotamento profissional causado por uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica vivida pelo trabalhador, associada a despersonalização e baixa realização pessoal. Essa doença pode ser uma realidade em ambiente de saúde, acrescida à importância aumentada pelo risco de adoecimento ou contaminação, excesso de trabalho em situação adversa, insegurança para realizar procedimentos diante da crise.

Outras doenças relacionadas à ansiedade são consideradas; as condições no local de trabalho podem gerar graves problemas de saúde da sociedade. Essas condições influenciam na saúde dos trabalhadores e podem gerar uma resposta negativa de adaptação do estresse. Conflitos psíquicos podem ser determinados o quê aumenta a necessidade de maior atenção com os sinais e sintomas de atenção à doença. Todos nós devemos nos proteger e não é somente do vírus em si, mas de suas graves consequências relativa ao isolamento, modificação das relações sociais e pessoais.

Fiquem atentos, monitorem-se e ajudem os outros profissionais de saúde. Criem espaços nos locais de trabalho que possam ser redutores de sinais e sintomas relacionados a ansiedade, depressão e tantas outras coisas anteriormente discutidas nesse texto. Vamos juntos superar essa que já é, a maior crise da saúde do século XXI.

Podemos vencer a Covid-19 e vamos trabalhar duro para isso. Por tanto, cuidem da saúde, pois é o bem mais preciso que temos. Com certeza a saúde dos enfermeiros é importantíssima para que se possa combater essa terrível pandemia.

Referências bibliográficas:

·         ALVES, Verônica de Medeiros et al. Ideação suicida e avaliação do cronótipo em enfermeiros e policiais. MedicalExpress , 2015, vol.2, n.3. p-.

·         SILVA, Salvyana Carla Palmeira Sarmento et al. A síndrome de burnout em profissionais da Rede de Atenção Primária à Saúde de Aracaju, Brasil. Ciênc. saúde coletiva. 2015, vol.20, n.10, pp.3011-3020.

·         SILVA, Jorge Luiz Lima da et al. Fatores psicossociais e prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivistas. Rev. bras. ter. intensiva. 2015, vol.27, n.2 pp.125-133.

 

 

 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A pandemia da insônia e da sobrecarga do coração em tempos de covid-19.

 A Pandemia da Insônia e da Sobrecarga do Coração em Tempos de COVID-19.


O nível de estresse emocional tem atingido número significativo de pessoas neste período de pandemia pela covid-19. Esta labilidade emocional tem se manifestado sob a forma de repercussões digestivas, cutâneas, cardíacas e, destacadamente, insônia. Embora a pandemia pela covid-19 ainda esteja ativa, começamos a identificar outro tipo de pandemia que está se sobrepondo —a pandemia da insônia e da sobrecarga cardíaca.

O sono noturno representa o período de descanso de nosso cérebro, em conjunto com o arrefecimento natural de nossas funções orgânicas. Durante a madrugada, nosso metabolismo diminui, as reações químicas orgânicas são mais lentas e, como consequência, alguns sinais vitais, como a pressão arterial e a frequência cardíaca, estabilizam-se em níveis mais baixos.

A observação da frequência cardíaca, durante o período do sono noturno, representa um dos parâmetros mais fidedignos no que tange a redução fisiológica do metabolismo corpóreo. Para exemplificar, uma pessoa saudável, com boas condições gerais, apresenta ao repouso, durante o dia, batimentos cardíacos variando de 60 a 80. Esta mesma pessoa, durante o período de sono noturno, apresentará batimentos cardíacos variando entre 40 e 45, sem nenhuma repercussão ou sintoma associado.

Como já assinalado, a pandemia da covid-19 tem acarretado diversas modificações no ritmo biológico de nosso corpo. A insônia tem acometido grande quantidade de pessoas neste momento difícil do Brasil e do mundo. As pessoas não têm conseguido desvincular-se da tensão diurna, das preocupações financeiras, do temor de uma eventual contaminação, e isto se traduz em horas irregulares de sono, horas insuficientes e sobressaltadas.


E o Coração? 


Da mesma forma que nosso cérebro precisa de descanso e o sono tem a função de prover este relaxamento, o coração humano requer período de 6 a 8 horas para se recuperar do trabalho intenso diurno e recarregar suas energias. Neste período de 6 a 8 horas de sono noturno, desde que haja tranquilidade, o coração humano recarrega suas energias, trabalhando com níveis de pressão arterial e frequência cardíaca mais baixos.

Quando uma pessoa enfrenta muitas noites de insônia, os níveis de pressão arterial e de frequência cardíaca permanecem compatíveis com o período diurno ou até mesmo atingem patamares mais elevados, gerando sobrecarga global do coração.

Muitos dias ou até meses de insônia desencadeiam alterações na estrutura e na função cardíacas. Do ponto de vista estrutural, ocorre aumento do tamanho do coração e muito frequentemente hipertrofia do miocárdio. Como resultado desta nova conformação estrutural, aumenta a chance de ocorrer arritmia cardíaca e disfunção de valvas cardíacas, além do risco aumentado para infarto do coração, derrame cerebral e insuficiência cardíaca.

Da mesma forma que estamos adotando medidas de prevenção e restrição para evitar a contaminação pela covid-19, temos de criar um protocolo de condutas para garantir a qualidade do sono noturno e, dessa forma, preservar nossa saúde cardiovascular.

Para isto, devemos começar por medidas não-farmacológicas, como dar preferência aos alimentos de fácil digestão e bebidas naturais no período noturno, evitando excesso de bebidas com cafeína, bebidas alcoólicas e bebidas gasosas.

Sopas em geral e alimentos pastosos devem ser mais empregados nas refeições noturnas. Também recomenda-se não dedicar as horas noturnas aos filmes de terror e muita tensão, dando preferência as músicas mais leves e bons livros.

Não sendo suficientes as medidas não-farmacológicas, deve-se, sob supervisão médica, utilizar medicamentos que possam reordenar o sono noturno e, indiretamente, permitir que nosso coração possa recarregar efetivamente suas energias, evitando crises hipertensivas e arritmias cardíacas durante a madrugada.

Uma das "vacinas" para a pandemia da insônia e da sobrecarga cardíaca, em tempos de covid-19, é modificar os hábitos alimentares e comportamentais, visando obter horas de sono noturno reparador e revitalizador.

Todos nós precisamos estar atentos a esta demanda para, assim, evitar problemas cardiovasculares futuros.

Fonte e Foto: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/edmo-atique-gabriel/2020/05/31/a-pandemia-da-insonia-e-da-sobrecarga-do-coracao-em-tempos-de-covid-19.htm



Delírio e insônia conectam esquizofrenia a Parkinson

 

Delírio e insônia conectam esquizofrenia a Parkinson


RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

Um grupo de neurocientistas liderados pelo brasileiro Miguel Nicolelis anuncia hoje a descoberta de um mecanismo cerebral de regulação do sono que pode ajudar a explicar a esquizofrenia e o mal de Parkinson.

Segundo os pesquisadores, essas duas doenças sem relação aparente são, na verdade, lados diferentes da mesma moeda. Ambas estão ligadas à distribuição cerebral de dopamina, uma das moléculas usadas para transmissão de informação entre as células do cérebro.

Em experimentos com camundongos geneticamente modificados, o grupo de Nicolelis na Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), mostrou que animais com excesso de dopamina numa estrutura cerebral chamada hipocampo sofrem alucinações como se estivessem "sonhando acordados".

Quando o neurotransmissor está em falta no cérebro, por outro lado, os roedores ficam incapazes de dormir direito e adquirem problemas motores.
Ao analisar a atividade cerebral dos animais no experimento, Nicolelis descobriu que esses dois estados se encaixavam de maneira cômoda nos modelos experimentais para estudar as alucinações dos esquizofrênicos e os problemas de sono enfrentados por pacientes de Parkinson.

"Ninguém tinha ainda apontado a dopamina como um neurotransmissor fundamental para gênese de sono", disse Nicolelis à Folha. "Isso explica por que pacientes de Parkinson, que perdem dopamina, têm distúrbios de sono tão importantes." Como os problemas para dormir aparecem nos parkinsonianos antes dos distúrbios motores --rigidez, tremor, etc.--, pode ser possível criar um diagnóstico precoce.

"Tentamos ver agora se é possível prever, por meio da qualidade de sono, se uma pessoa vai ter Parkinson alguns anos à frente", diz o pesquisador. Ele assina um estudo na edição de hoje da revista "Journal of Neuroscience" sobre a descoberta. Um outro estudo, que deve sair na semana que vem, propõe uma explicação sobre por que a falta de dopamina afeta a atividade cerebral da maneira observada.

Para saber se isso será mesmo possível, os pesquisadores já começaram usar eletrodos para investigar o mesmo mecanismo em humanos portadores de Parkinson. Isso só é possível porque pacientes terminais da doença têm mesmo de passar por cirurgias invasivas, e alguns permitem aos cientistas medir sua atividade elétrica cerebral durante a operação.

Se a explicação do problema de sono em pacientes de Parkinson já está praticamente provada, o mesmo não se pode dizer da ligação que o pesquisador procura estabelecer entre sonho e esquizofrenia.

Sonhando acordado

"Isso é a sugestão de uma teoria", diz. "O excesso de dopamina é considerado um dos melhores modelos de alucinação em psicose, mas a esquizofrenia tem mais do que isso envolvido." De acordo com a hipótese de Nicolelis, as alucinações ocorreriam nos esquizofrênicos porque a dopamina em excesso induz um estado de sono durante a vigília. "É mais ou menos como se eles estivessem mesmo sonhando acordados."

Como não é possível usar eletrodos para estudar o cérebro de humanos esquizofrênicos, Nicolelis pretende aprimorar o modelo animal de pesquisa. É uma tarefa difícil porque camundongos não podem, por exemplo, relatar ao pesquisador que estão ouvindo vozes, sintoma clássico do distúrbio.

Os pesquisadores, porém, desenvolveram lá seus meios de tentar contornar o problema. "Estamos estudando o córtex auditivo [parte do cérebro que processa sons] para ver se ele está sendo ativado antes de o animal ouvir algo", diz. Isso seria um sinal de alucinação auditiva, afirma Nicolelis.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15336.shtml

Foto: Google