sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Isolamento Social

 Isolamento Social

 

isolamento social é o ato de separar um indivíduo ou um grupo do convívio com o restante da sociedade. Esse isolamento pode ser voluntário ou não. Quando há uma força maior, seja imposta pelo governo, seja por uma situação de guerra ou pandemia, ou até mesmo um toque de recolher provocado pela violência urbana, o isolamento é forçado. Quando o próprio indivíduo ou grupo se isola voluntariamente, por questões de saúde mental (em consequência de depressão, por exemplo), por questões pessoais ou por questões religiosas, há um isolamento social voluntário.

 

Causas do isolamento social


O isolamento social pode ser causado por motivos interiores ou exteriores ao indivíduo. Listamos a seguir as causas dos dois tipos de isolamento e suas variantes.

Obs.: O isolamento social é o ato voluntário ou não de se separar um indivíduo ou grupo do convívio social.

 

Causas do isolamento involuntário

  

·         Epidemias e pandemias

Quando há uma situação emergencial de epidemia em um país ou uma pandemia (quando a epidemia é generalizada e perpassa as fronteiras de um país, espalhando-se por outros continentes), há a imposição de um isolamento social por parte dos governos e dos líderes das nações. No caso da pandemia de coronavírus de 2020, por exemplo, os governos estão impondo quarentenas e distanciamento social, que opera por meio do fechamento de comércio, do transporte público e de escolas, por exemplo.

 

Obs.: O isolamento e o distanciamento social são medidas sanitárias contra a proliferação de doenças epidêmicas ou pandêmicas.

 

Nos casos mais severos, há a imposição de uma tática chamada lockdown horizontal, que é o isolamento total da população em suas casas com o fechamento quase total do comércio e dos serviços. Para saber mais sobre, leia: Isolamento vertical e horizontal.

 

 

·         Guerras

Quando uma guerra estoura em um local, como aconteceu em 2015, na Síria, há a imposição de um toque de recolher para que a população se feche em casa e não sofra as consequências diretas da guerra. Esse tipo de confinamento nem sempre é efetivo, visto que, em situações de guerra, existem bombardeios que destroem casas de civis.

 

·         Violência

Quando os índices de violência crescem repentinamente em uma região, há a imposição de um isolamento social via toque de recolher para que a população não fique exposta diretamente a casos de assalto, por exemplo. Assim, o toque de recolher pode ser imposto pelas autoridades ou mesmo pelas próprias pessoas, que se isolam por causa dos conflitos sociais.

  

→ Isolamento voluntário


·         Depressão e outras doenças psiquiátricas: quando as pessoas são acometidas por doenças como a depressão, transtorno bipolar, síndrome de boderline e outras comorbidades psiquiátricas, elas podem cair em situação de isolamento social. Nesse caso, o isolamento não é uma opção escolhida pela pessoa, visto que a doença não é uma escolha, mas dizemos que o isolamento é voluntário por não partir de uma situação exterior à própria pessoa.

 

·         Vontade: algumas pessoas simplesmente escolhem viver fora do convívio social por livre e espontânea vontade, sem nenhuma força maior que as obrigue ao isolamento.

 

 

·         Motivos religiosos: existem grupos religiosos, como os amishes, que optam pelo isolamento social do grupo para manter o que chamam de pureza religiosa da comunidade. Os amishes são cristãos ultraconservadores que não aceitam qualquer intervenção do mundo moderno, como a tecnologia, no seu cotidiano.

  

Consequências do isolamento

 

 O isolamento social, voluntário ou forçado, pode ter consequências graves para o estado mental de quem é submetido a ele. Para quem já sofre de depressão ou outras doenças, o isolamento social pode causar o agravamento da situação. Em casos extremamente graves, a depressão e outras doenças psiquiátricas, como o transtorno de ansiedade, podem levar ao suicídio.

 

Obs.: O isolamento social pode desencadear ou agravar doenças psiquiátricas.

 

isolamento social forçado também pode acarretar doenças psicológicas nos indivíduos. Quando a pessoa é forçada a ficar em casa, ela pode desenvolver um quadro de ansiedade generalizada, que pode evoluir para a depressão. As consequências desse isolamento, se não forem cuidadas, podem ser catastróficas.

 

 

Além das consequências isoladas e individuais, o isolamento social, quando imposto por motivo de força maior, pode também acarretar crise financeira. Quando a população para de circular nas ruas e consumir, o comércio e a prestação de serviços também param de funcionar. Isso provoca a queda extrema nas vendas e a falta de arrecadação. O Brasil, que ainda depende fortemente do comércio e da prestação de serviços, é um dos países que podem ser drasticamente afetados por um isolamento social grupal que provoque a queda no consumo.

 

Por Francisco Porfírio
Professor de Sociologia

 

Fonte e Foto: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/isolamento-social.htm#:~:text=Em%20casos%20extremamente%20graves%2C%20a,acarretar%20doen%C3%A7as%20psicol%C3%B3gicas%20nos%20indiv%C3%ADduos.

 

Compartilhado na página da "Luz da Enfermagem": https://aluzdaenfermagemrecife.blogspot.com/

 









quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Efeitos colaterais da Pandemia do COVID-19: A PSICOSE

 

Efeitos colaterais da Pandemia do COVID-19: A PSICOSE


Além dos vários possíveis danos à saúde física de quem contrai a covid-19, os riscos da pandemia à saúde mental preocupam especialistas. Entretanto, o impacto desta pandemia, em níveis econômicos é mais facilmente diagnosticado e por conseguinte, tratados, que os impactos causados à saúde mental de dezenas de milhares de pessoas. NESTE ARTIGO vamos chamar a atenção para os efeitos colaterais da pandemia do COVID-19.

Cenários de crises econômicas em nível global, empresas falindo, isolamento, desemprego, a própria ansiedade em relação à contaminação com a doença são alguns dos fatores que estão afetando nossa mente nos últimos meses e até o momento, não há uma data final para o fim.

Esta situação não é normal para o nosso cérebro, diz a pesquisadora Susan Whitbourne: “Estamos olhando para um abismo e não conseguimos ver em que ponto ele termina”, afirma. “Nossos corpos e mentes não estão acostumados a lidar com esse desgaste constante, que é a maior coisa que muitos de nós já enfrentamos”.

Enquanto algumas pessoas lidam com os desafios usando a criatividade, é normal sentir dificuldades, diz Whitbourne: “A pressão sanguínea aumenta, os processos cognitivos ficam mais difíceis, e você se vê distraído, aflito e ansioso”.  Tudo isso criar condições favoráveis ao desenvolvimento de psicoses, assunto tema deste artigo.

Quando falamos de doenças psiquiátricas ou de saúde mental, muitas vezes ouvimos o termo psicose ou pessoas psicóticas. O que muitos não sabem é que essa palavra tem um significado e valor médico importante. Entenda aqui, afinal, o que PSICOSE.

O que é uma psicose?

A PSICOSE, para a medicina, se traduz como uma síndrome neurológica, em que algumas partes do cérebro não estão funcionando normalmente, geralmente associadas à ação de um neurotransmissor nessas áreas, chamado dopamina. A dopamina tem inúmeras funções ao cérebro, sendo importante para a comunicação dos neurônios e atuando em diversos sistemas do organismo. Entretanto, o excesso de dopamina em algumas áreas do cérebro, ou o dano direto dessas áreas pode levar as pessoas a vivenciarem alucinações, delírios, alterações de personalidade ou pensamentos e comportamentos desorganizados.

O termo “Psicose” vem do grego, significa “estado mental anormal”. A psicose é um distúrbio da percepção da realidade; estado de psicose se caracteriza pela agitação, agressividade, impulsividade e outras alterações do comportamento.

OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA PSICOSE

Alucinações

 As Alucinações são percepções falsas de um dos sentidos. A alucinação auditiva é a mais comum, seguido, em ordem, pelo visual, tátil, olfatória e paladar.

As alucinações auditivas podem ser com uma ou várias pessoas falando, assim como música sendo tocada. São vozes que impõe ordens, muitas vezes mandam o paciente pular de uma janela ou ponte. A olfatória costuma estará associada a cheiros desagradáveis como vômitos e fezes. A alucinação visual pode ocorrer com objetos sem forma ou até com pessoas e animais. Pode se imaginar o corpo sendo tomado por inúmeros insetos ou a presença de pessoas no ambiente.

Podem também ocorrer alterações do equilíbrio e da propriocepção (noção do posicionamento espacial do próprio corpo).

Existem dois tipos de alucinações que são consideradas normais e que provavelmente já ocorreram com vocês: a hipnagogia e hipnopompia, que ocorrem na transição sono/vigília. O primeiro é aquela conhecida sensação de queda ao adormecer e o segundo são alucinações que ocorrem durante o processo de despertar.

Delírio (delusão)

São falsas crenças e convicções que se mantêm apesar de claras evidencias contrárias e da implausibilidade dos fatos. O mais comum é o delírio persecutório, no qual o individuo acha que há forças externas tentando prejudicá-lo, como conspirações, gás venoso na tubulação, comida envenenada, câmeras escondidas na sua casa, microchips implantados secretamente no cérebro, etc.

No delírio de ciúmes, o paciente está convicto que o parceiro(a) comete adultério e imagina evidencias em pequenas manchas nas roupas e alterações na posição do banco do carro. Tem certeza que o parceiro vai ao banheiro, não para urinar, mas sim para encontrar a amante dentro da cabine. Coisas absurdas. Nos delírios religiosos o paciente pensa ser uma divindade ou ter contato direto com Deus. Existem também delírios sobre abdução por ETs, clonagem, contato com mortos, etc.

Algumas pessoas famosas sofrem com delírios de fãs que imaginam ser suas amantes, que tem direito a decidir sobre aspectos de sua vida, etc. Geralmente, atentados contra pessoas famosas são movidos por um estado psicótico.

Para pessoas com delírio existe sempre uma lógica no seu pensamento, e nenhum argumento é capaz de convencê-lo do contrário.

Pensamento desorganizado

Alterações do discurso e comportamento bizarro. Incapacidade de formular frases compreensíveis. Conclusões ilógicas como “uma maça cabe dentro de uma caneta preta, mas não de uma azul”. Criação de palavras que não existem, interrupção de frases do meio, sem completa-las e frases com palavras desconectas.

Agitação e agressão

A agitação é um estado agudo de ansiedade, com aumentada atividade motora. Pode ocorrer pela percepção do paciente do quadro psiquiátrico através das alucinações ou alterações de pensamento. Atos de violência podem ocorrer nos delírios persecutórios.

O QUE CAUSA A PSICOSE?

A psicose não tem causa única, podendo ser causada por transtornos primários, ou seja, de doenças que surgem espontaneamente, ou ser secundárias a outras doenças.

Como causas primárias podemos citar:

Como causas secundárias, podemos citar:

  • Doses elevadas ou uso crônico de determinados medicamentos e drogas psicoativas;
  • Uso ou intoxicação por maconha;
  • Síndrome de abstinência de benzodiazepínicos, barbitúricos e bebidas alcoólicas;
  • Exposição a metais pesados com arsênico, mercúrio e chumbo;
  • Exposição a organofosforados (presentes em herbicidas e inseticidas);
  • Infecções no sistema nervoso central (encefalites);
  • Deficiência de vitaminas (folato, B12, tiamina, niacina);
  • Doenças autoimunes;
  • Doenças genéticas que afetam os cromossomos.

A psicose, portanto, não deve ser ignorada. Pessoas que sofrem com psicose devem ser acolhidas por profissionais da saúde para afastar possibilidades mais graves e receberem o tratamento devido. Agir com hostilidade ou de forma leiga com quem apresenta um estado mental delicado pode causar consequências mais graves. Fique atento!

Fonte:

https://www.mdsaude.com/psiquiatria/psicose/

https://psiquiatriapaulista.com.br/o-que-e-psicose-psicotico/

Foto: https://blog.paulatostes.com.br/efeitos-colaterais-da-pandemia-do-covid-19/




Saúde mental de profissionais de enfermagem na pandemia de coronavírus

 Saúde mental de profissionais de enfermagem na pandemia de coronavírus

 

Os profissionais mais importantes na assistência à saúde são os enfermeiros. Esses profissionais fazem toda a gerência da assistência, de pessoas, materiais, ou seja, promovem o cuidado em totalidade para as pessoas que necessitam. Nesse tempo em que vivemos uma profunda incerteza em todos os aspectos da vida, esses profissionais travam uma dura batalha contra um agente invisível que nos ameaça e nos mantém refém. Grandes são as modificações na sociedade, e enfermeiros e enfermeiras de todo mundo permanecem na luta diária pela vida.

Saúde mental durante coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em uso de suas atribuições, constituiu um guia para orientar cuidados a saúde mental de diversos grupos, incluindo profissionais de saúde. Para os trabalhadores da saúde, o estresse e a pressão de lidar com o ofício, acrescido do risco de adoecer, provocam severos problemas de saúde mental, aumentando o turnouver e a síndrome de burnout, além de gerar graves problemas como ansiedade e depressão.

Esses profissionais são um dos grupos de vulnerabilidade, já que o número de mortos entre profissionais da saúde causa preocupação para as autoridades.

A OMS orienta que os trabalhadores desse setor são pressionados com essa situação, sendo um sintoma normal, assim como o estresse associado, que muitas vezes paralisa, mas deve-se orientar o profissional que esses sentimentos são naturais, pelo momento que todos passamos, devendo esses profissionais receber apoio da gestão.

Por isso o gerenciamento da sua saúde mental é fundamental, seu bem-estar psicossocial nesse momento de crise torna-se fundamental.

Orientações à saúde mental dos profissionais

Cuide de você. Você é a pessoa mais importante no processo de cuidar. Lembre-se que se você não estiver bem, não poderá cuidar de outras pessoas. Lembre-se de fazer pausas e descansar entre os turnos de trabalho. Caso o serviço provoque necessidade de trabalhar mais horas, pela necessidade da crise, lembre-se de realizar mais pausas durante o período de plantão.

Tenha atenção com alimentos, mantendo uma dieta saudável, realize pausas para alimentação, assim como para descanso. Faça atividade física regular quando não estiver em ofício e mantenha contato com familiares e amigos por meio das redes sociais. Lembre-se de realizar o menor contato físico possível. Em caso de qualquer sintoma da doença, realize o imediato afastamento da sociedade e do ambiente de trabalho.

Os profissionais da enfermagem devem evitar formas errôneas de lidar com estresse, como utilização de álcool, tabaco, outras drogas, alimentos impróprios e alimentos ricos em açúcar. Essas condições levarão à piora do bem-estar físico e mental. Claro que essas recomendações servem para vida e não apenas para esse cenário, que é sem precedentes a qualquer outra situação vivida pela nossa faixa etária. Para os que possuem alguma experiência em situações de crise, busquem utilizar medidas já testada e aprovadas. Suas práticas de vida devem ser respeitadas, mas lembre-se de pensar em práticas onde não haja contatos.

Cuidado ao realizar visitas domiciliares ou procedimentos, só faça com os devidos equipamentos de proteção individua (EPIs). Não podemos deixar que a situação que enfrentamos fique pior. Utilize a tecnologia para se conectar com as pessoas, no atual cenário é a melhor forma e mais segura. Qualquer dúvida sobre a procedimento busque ajuda. Não realize qualquer cuidado em saúde se houver dúvidas quanto a sua proteção.

Os gestores podem ser grandes aliados, uma vez que recebem orientações diretas e atualizadas. Lembre-se sempre de confirmar as informações e observe as orientações do Ministério da Saúde. A insegurança pode comprometer sua saúde mental, atente-se.

Quanto à comunicação com as pessoas, seja sempre simples. Evite ruídos que possam causar repetições e excesso de mensagens. Muitas pessoas podem ter dificuldade de comunicação, por isso busque a comunicação escrita e oral, para gerar informações.

Busque orientações assertivas para pessoas que testarem positivo para Covid-19, oriente os recursos digitais possíveis. Lembre-se a tecnologia é uma aliada nesses tempos. Essas pessoas também vão precisar de apoio principalmente pelo isolamento social. Lembre-se que grupos podem ser criados entre profissionais e usuários do serviço por meio eletrônico. Esse dispositivo pode manter a assistência à saúde de muitas pessoas.

Burnout

Atente-se para os seguintes sinais e sintomas:

1.       Ansiedade e preocupação excessivas, ocorrendo de forma constante ou relacionado a eventos ou atividades específicas;

2.       Excesso de preocupação, apresenta preocupação na maior parte dos dias ou relacionado ao trabalho ou segurança;

3.       Apresenta inquietação ou sente-se no limite, sentindo cansaço ou fadiga na maior parte do dia;

4.       Dificuldade de concentração, irritabilidade e tensão muscular ou prazer diminuído de realizar as atividades;

5.       Possui alterações do sono, podendo ser hipersonia ou insônia;

6.       Preocupação ou ansiedade que causam sofrimento clinicamente significante que geram incapacidade de realizar atividades sociais;

7.       Aumento do uso de álcool e outras drogas;

8.       Possuir lentidão ou agitação fora do normal;

9.       Afastamento social ou afastamento familiar;

10.   Disfunção sexual ou problemas com relacionamento com o parceiro;

11.   Esgotamento profissional e problemas relativos ao ambiente de trabalho;

12.   Apresenta fragilidade emocional sem motivo aparente.

A síndrome de burnout é muito comum e pessoas que permanecem em locais de trabalho por longas horas, acompanhado de uma grande carga de trabalho. É compreendido por Silva et. al (2015), como um esgotamento profissional causado por uma síndrome psicológica decorrente da tensão emocional crônica vivida pelo trabalhador, associada a despersonalização e baixa realização pessoal. Essa doença pode ser uma realidade em ambiente de saúde, acrescida à importância aumentada pelo risco de adoecimento ou contaminação, excesso de trabalho em situação adversa, insegurança para realizar procedimentos diante da crise.

Outras doenças relacionadas à ansiedade são consideradas; as condições no local de trabalho podem gerar graves problemas de saúde da sociedade. Essas condições influenciam na saúde dos trabalhadores e podem gerar uma resposta negativa de adaptação do estresse. Conflitos psíquicos podem ser determinados o quê aumenta a necessidade de maior atenção com os sinais e sintomas de atenção à doença. Todos nós devemos nos proteger e não é somente do vírus em si, mas de suas graves consequências relativa ao isolamento, modificação das relações sociais e pessoais.

Fiquem atentos, monitorem-se e ajudem os outros profissionais de saúde. Criem espaços nos locais de trabalho que possam ser redutores de sinais e sintomas relacionados a ansiedade, depressão e tantas outras coisas anteriormente discutidas nesse texto. Vamos juntos superar essa que já é, a maior crise da saúde do século XXI.

Podemos vencer a Covid-19 e vamos trabalhar duro para isso. Por tanto, cuidem da saúde, pois é o bem mais preciso que temos. Com certeza a saúde dos enfermeiros é importantíssima para que se possa combater essa terrível pandemia.

Referências bibliográficas:

·         ALVES, Verônica de Medeiros et al. Ideação suicida e avaliação do cronótipo em enfermeiros e policiais. MedicalExpress , 2015, vol.2, n.3. p-.

·         SILVA, Salvyana Carla Palmeira Sarmento et al. A síndrome de burnout em profissionais da Rede de Atenção Primária à Saúde de Aracaju, Brasil. Ciênc. saúde coletiva. 2015, vol.20, n.10, pp.3011-3020.

·         SILVA, Jorge Luiz Lima da et al. Fatores psicossociais e prevalência da síndrome de burnout entre trabalhadores de enfermagem intensivistas. Rev. bras. ter. intensiva. 2015, vol.27, n.2 pp.125-133.

 

 

 


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A pandemia da insônia e da sobrecarga do coração em tempos de covid-19.

 A Pandemia da Insônia e da Sobrecarga do Coração em Tempos de COVID-19.


O nível de estresse emocional tem atingido número significativo de pessoas neste período de pandemia pela covid-19. Esta labilidade emocional tem se manifestado sob a forma de repercussões digestivas, cutâneas, cardíacas e, destacadamente, insônia. Embora a pandemia pela covid-19 ainda esteja ativa, começamos a identificar outro tipo de pandemia que está se sobrepondo —a pandemia da insônia e da sobrecarga cardíaca.

O sono noturno representa o período de descanso de nosso cérebro, em conjunto com o arrefecimento natural de nossas funções orgânicas. Durante a madrugada, nosso metabolismo diminui, as reações químicas orgânicas são mais lentas e, como consequência, alguns sinais vitais, como a pressão arterial e a frequência cardíaca, estabilizam-se em níveis mais baixos.

A observação da frequência cardíaca, durante o período do sono noturno, representa um dos parâmetros mais fidedignos no que tange a redução fisiológica do metabolismo corpóreo. Para exemplificar, uma pessoa saudável, com boas condições gerais, apresenta ao repouso, durante o dia, batimentos cardíacos variando de 60 a 80. Esta mesma pessoa, durante o período de sono noturno, apresentará batimentos cardíacos variando entre 40 e 45, sem nenhuma repercussão ou sintoma associado.

Como já assinalado, a pandemia da covid-19 tem acarretado diversas modificações no ritmo biológico de nosso corpo. A insônia tem acometido grande quantidade de pessoas neste momento difícil do Brasil e do mundo. As pessoas não têm conseguido desvincular-se da tensão diurna, das preocupações financeiras, do temor de uma eventual contaminação, e isto se traduz em horas irregulares de sono, horas insuficientes e sobressaltadas.


E o Coração? 


Da mesma forma que nosso cérebro precisa de descanso e o sono tem a função de prover este relaxamento, o coração humano requer período de 6 a 8 horas para se recuperar do trabalho intenso diurno e recarregar suas energias. Neste período de 6 a 8 horas de sono noturno, desde que haja tranquilidade, o coração humano recarrega suas energias, trabalhando com níveis de pressão arterial e frequência cardíaca mais baixos.

Quando uma pessoa enfrenta muitas noites de insônia, os níveis de pressão arterial e de frequência cardíaca permanecem compatíveis com o período diurno ou até mesmo atingem patamares mais elevados, gerando sobrecarga global do coração.

Muitos dias ou até meses de insônia desencadeiam alterações na estrutura e na função cardíacas. Do ponto de vista estrutural, ocorre aumento do tamanho do coração e muito frequentemente hipertrofia do miocárdio. Como resultado desta nova conformação estrutural, aumenta a chance de ocorrer arritmia cardíaca e disfunção de valvas cardíacas, além do risco aumentado para infarto do coração, derrame cerebral e insuficiência cardíaca.

Da mesma forma que estamos adotando medidas de prevenção e restrição para evitar a contaminação pela covid-19, temos de criar um protocolo de condutas para garantir a qualidade do sono noturno e, dessa forma, preservar nossa saúde cardiovascular.

Para isto, devemos começar por medidas não-farmacológicas, como dar preferência aos alimentos de fácil digestão e bebidas naturais no período noturno, evitando excesso de bebidas com cafeína, bebidas alcoólicas e bebidas gasosas.

Sopas em geral e alimentos pastosos devem ser mais empregados nas refeições noturnas. Também recomenda-se não dedicar as horas noturnas aos filmes de terror e muita tensão, dando preferência as músicas mais leves e bons livros.

Não sendo suficientes as medidas não-farmacológicas, deve-se, sob supervisão médica, utilizar medicamentos que possam reordenar o sono noturno e, indiretamente, permitir que nosso coração possa recarregar efetivamente suas energias, evitando crises hipertensivas e arritmias cardíacas durante a madrugada.

Uma das "vacinas" para a pandemia da insônia e da sobrecarga cardíaca, em tempos de covid-19, é modificar os hábitos alimentares e comportamentais, visando obter horas de sono noturno reparador e revitalizador.

Todos nós precisamos estar atentos a esta demanda para, assim, evitar problemas cardiovasculares futuros.

Fonte e Foto: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/edmo-atique-gabriel/2020/05/31/a-pandemia-da-insonia-e-da-sobrecarga-do-coracao-em-tempos-de-covid-19.htm



Delírio e insônia conectam esquizofrenia a Parkinson

 

Delírio e insônia conectam esquizofrenia a Parkinson


RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

Um grupo de neurocientistas liderados pelo brasileiro Miguel Nicolelis anuncia hoje a descoberta de um mecanismo cerebral de regulação do sono que pode ajudar a explicar a esquizofrenia e o mal de Parkinson.

Segundo os pesquisadores, essas duas doenças sem relação aparente são, na verdade, lados diferentes da mesma moeda. Ambas estão ligadas à distribuição cerebral de dopamina, uma das moléculas usadas para transmissão de informação entre as células do cérebro.

Em experimentos com camundongos geneticamente modificados, o grupo de Nicolelis na Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), mostrou que animais com excesso de dopamina numa estrutura cerebral chamada hipocampo sofrem alucinações como se estivessem "sonhando acordados".

Quando o neurotransmissor está em falta no cérebro, por outro lado, os roedores ficam incapazes de dormir direito e adquirem problemas motores.
Ao analisar a atividade cerebral dos animais no experimento, Nicolelis descobriu que esses dois estados se encaixavam de maneira cômoda nos modelos experimentais para estudar as alucinações dos esquizofrênicos e os problemas de sono enfrentados por pacientes de Parkinson.

"Ninguém tinha ainda apontado a dopamina como um neurotransmissor fundamental para gênese de sono", disse Nicolelis à Folha. "Isso explica por que pacientes de Parkinson, que perdem dopamina, têm distúrbios de sono tão importantes." Como os problemas para dormir aparecem nos parkinsonianos antes dos distúrbios motores --rigidez, tremor, etc.--, pode ser possível criar um diagnóstico precoce.

"Tentamos ver agora se é possível prever, por meio da qualidade de sono, se uma pessoa vai ter Parkinson alguns anos à frente", diz o pesquisador. Ele assina um estudo na edição de hoje da revista "Journal of Neuroscience" sobre a descoberta. Um outro estudo, que deve sair na semana que vem, propõe uma explicação sobre por que a falta de dopamina afeta a atividade cerebral da maneira observada.

Para saber se isso será mesmo possível, os pesquisadores já começaram usar eletrodos para investigar o mesmo mecanismo em humanos portadores de Parkinson. Isso só é possível porque pacientes terminais da doença têm mesmo de passar por cirurgias invasivas, e alguns permitem aos cientistas medir sua atividade elétrica cerebral durante a operação.

Se a explicação do problema de sono em pacientes de Parkinson já está praticamente provada, o mesmo não se pode dizer da ligação que o pesquisador procura estabelecer entre sonho e esquizofrenia.

Sonhando acordado

"Isso é a sugestão de uma teoria", diz. "O excesso de dopamina é considerado um dos melhores modelos de alucinação em psicose, mas a esquizofrenia tem mais do que isso envolvido." De acordo com a hipótese de Nicolelis, as alucinações ocorreriam nos esquizofrênicos porque a dopamina em excesso induz um estado de sono durante a vigília. "É mais ou menos como se eles estivessem mesmo sonhando acordados."

Como não é possível usar eletrodos para estudar o cérebro de humanos esquizofrênicos, Nicolelis pretende aprimorar o modelo animal de pesquisa. É uma tarefa difícil porque camundongos não podem, por exemplo, relatar ao pesquisador que estão ouvindo vozes, sintoma clássico do distúrbio.

Os pesquisadores, porém, desenvolveram lá seus meios de tentar contornar o problema. "Estamos estudando o córtex auditivo [parte do cérebro que processa sons] para ver se ele está sendo ativado antes de o animal ouvir algo", diz. Isso seria um sinal de alucinação auditiva, afirma Nicolelis.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15336.shtml

Foto: Google



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O que é a demência por corpos de Lewy e como tratar

O que é a demência por corpos de Lewy e como tratar


Clínico Geral




A demência com corpos de Lewy é uma doença degenerativa do cérebro, que compromete regiões responsáveis por funções como a memória, o pensamento e o movimento, e é causada pelo acúmulo de proteínas, conhecidas como corpos de Lewy, no tecido cerebral.
Esta doença surge com o avançar da idade, sendo mais comum acima dos 60 anos, e provoca sintomas como alucinações, perda de memória progressiva e dificuldade para concentrar, assim como tremores e rigidez muscular, sendo considerada o segundo tipo de demência degenerativa mais comum, logo após o Alzheimer.
Apesar de não haver cura para a demência por corpos de Lewy, é possível realizar o tratamento e controlar os sintomas, com o uso de remédios orientados pelo médico, como Quetiapina ou Donepezila, por exemplo, que aliviam alguns sintomas, além do investimento em fisioterapia e terapia ocupacional. Desta forma, a pessoa pode viver por muitos anos com o máximo de independência e qualidade de vida. 

Principais sintomas

A demência por corpos de Lewy apresenta sintomas que surgem aos poucos, e pioram lentamente. Os principais são:
  • Perda das capacidades mentais, chamadas de funções cognitivas, como memória, concentração, atenção, comunicação e linguagem;
  • Confusão mental e desorientação, que oscilam entre momentos de confusão extrema e momentos mais calmos;
  • Tremores e rigidez muscular, conhecidos como parkinsonismo, pois imitam os movimentos do Parkinson;
  • Alucinações visuais, em que a pessoa vê coisas inexistentes, como animais ou crianças, por exemplo;
  • Dificuldade em avaliar distâncias, chamada de alterações visoespaciais, o que pode levar a quedas frequentes;
Geralmente, as alterações das capacidades mentais surgem primeiro, e à medida que a doença progride, surgem as alterações do movimento, e os quadros de confusão mental ficam mais graves. Também é comum que haja sintomas de alterações do humor, como depressão e apatia.
Devido aos sintomas semelhantes, esta doença pode ser confundida com Alzheimer ou Parkinson. Ainda não existe uma causa conhecida para a Demência de Corpos de Lewy, por isso, qualquer pessoa pode desenvolver esta doença, que é mais comum em homens acima dos 60 anos. e não foram identificados quaisquer fatores de risco.

Como é feito o tratamento

Uma vez que não existe cura para a demência com corpos de Lewy, o tratamento deve ser orientado por um neurologista, geriatra ou psiquiatra para aliviar os sintomas de cada pessoa e melhorar a qualidade de vida da pessoa portadora.
Assim os principais tipos de tratamento incluem:
  • Remédios antipsicóticos, como Quetiapina ou Olanzapina: permitem reduzir a frequência das alucinações, porém, podem provocar vários efeitos secundários ou piorar o estado geral da pessoa e, por isso, quando utilizados, devem ser constantemente avaliados por um médico;
  • Remédios para a memória, como Donepezila ou Rivastigmina: aumentam a produção de neurotransmissores no cérebro, podendo melhorar a concentração, a memória e reduzindo o surgimento de alucinações e outros problemas de comportamento;
  • Remédios para melhorar a motricidade, como Carbidopa e Levodopa, muito utilizados no Parkinson: diminuem sintomas motores como os tremores, rigidez muscular ou lentidão de movimentos. No entanto, podem piorar as alucinações e a confusão, podendo, por isso, ser associados a remédios para a memória;
  • Remédios antidepressivos, como Sertralina ou Citalopam: utilizados para melhorar sintomas depressivos, além de ajudar a controlar o comportamento e regular o sono;
  • Fisioterapia: ajuda a manter a força e a flexibilidade dos músculos, além de melhorar a capacidade cardiovascular com vários tipos de exercícios;
  • Terapia ocupacional: é muito importante para ajudar a manter a independência, ensinando a pessoa a fazer as tarefas diárias com as suas novas limitações.
Além disso, para ajudar a combater os sintomas de tristeza, ansiedade ou agitação frequentes, o cuidador pode utilizar outras terapias de medicina alternativa como aromaterapia, musicoterapia ou massagens, por exemplo.
Também é recomendado realizar exercícios para manter o cérebro ativo, evitar fumar e adotar uma dieta saudável e equilibrada, dando preferência para frutas e vegetais. 

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da demência com corpos de Lewy é feito por um neurologista, geriatra ou psiquiatra, após uma avaliação completa dos sintomas, histórico familiar e realização do exame físico. 
Embora alguns exames de imagem, como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética, possam ajudar a identificar degeneração de algumas partes do cérebro, eles não conseguem identificar os corpos de Lewy, que só podem ser observados após a morte.
Desta forma, o médico irá diferenciar esta doença de outras com sintomas semelhantes, como Alzheimer e Parkinson, e indicar o tratamento mais indicado.

Fonte: https://www.tuasaude.com/demencia-com-corpos-de-lewy/