segunda-feira, 22 de junho de 2015

Epilepsia e Gravidez

Epilepsia & Gravidez

Alberto Costa e Carlos Guerreiro

Casar-se, formar uma família e ter filhos constitui-se em um dos mais importantes aspectos de uma vida normal. Infelizmente pacientes com epilepsia, especialmente mulheres, não contavam até recentemente com este direito básico. O receio de declínio cognitivo e alterações comportamentais, a presença de estigmas de doença psiquiátrica e possibilidade de ocorrência de malformações, bem como a associação da epilepsia com distúrbios da sexualidade condenavam a união com pacientes com epilepsia. Nos séculos 18 e 19, portadores de epilepsia eram freqüentemente institucionalizados e tratados para a redução de seus impulsos sexuais e até 1986 estavam proibidos legalmente de casarem-se. A realização de esterilização involuntária em mulheres epilépticas foi aceita legalmente no estado da Carolina do Sul até 1986. No Brasil não existem dados que façam menção a legislações deste tipo. Este tipo de restrição pode exercer influência, reduzindo o número de filhos gerados por essas pacientes. Mulheres com epilepsia apresentam menores taxas de casamento e fertilidade, traduzidos por menores números de filhos quando comparadas com mulheres não epilépticas. Melhores condições de tratamento e saúde, além de melhor esclarecimento da população e classe médica têm contribuído para redução na diferença entre esses grupos desde a década de 80.
Epilepsia é bastante comum em aproximadamente 1% da população afetando tanto homens quanto mulheres, sendo o distúrbio neurológico mais freqüente na prática obstétrica, ocorrendo em 0,3 a 0,6% das gestações. Em mulheres, o tratamento das crises deve levar em consideração alguns aspectos adicionais como uso de anticoncepcionais, gravidez e amamentação. O acompanhamento clínico dessas mulheres deve ter como objetivo a obtenção do controle total das crises, minimizando os efeitos adversos dos medicamentos e das crises sobre a mãe e feto. Essas gestações são classificadas como alto risco por apresentarem uma maior probabilidade de complicações e o acompanhamento de mulheres epilépticas que demonstram desejo de engravidar apresentam três questões práticas. (1o.) Quais são os efeitos da epilepsia sobre a gestação? (2o.) Da gestação sobre a epilepsia? e (3o.) As conseqüências da epilepsia e seu tratamento sobre o concepto?

Efeitos da epilepsia sobre a gestação
Sexualidade

Mulheres epilépticas apresentam menor número de filhos quando comparadas com não epilépticas. Razões sociais como preconceito, baixa auto-estima e redução na sexualidade parecem ser os fatores mais importantes para justificar esses achados. Diminuição na sexualidade é observada em 28 a 67% dos pacientes com epilepsia e parece ser mais importante em portadores de crises parciais na epilepsia do lobo temporal, mediados por possível interação das drogas antiepilépticas (DAE) sobre o eixo hipotálamo-hipófise reduzindo os níveis dos hormônios adenocorticotrófico, cortisol, gonadotrofinas e prolactina. Disfunções sexuais como vaginismo, dispareunia (dor à relação sexual) e lubrificação vaginal insuficiente são mais freqüentes em mulheres epilépticas, associadas à diminuição de androgênios gonadais. Observa-se também uma maior incidência de gestações não planejadas em mulheres epilépticas jovens, solteiras e com menor escolaridade. Uma possível explicação para estes dados pode ser mais fácil acesso, escolha e eficácia dos métodos anticoncepcionais em comparação com mulheres menos instruídas.

Anticoncepção

O uso de anticoncepcionais não está associado à piora nas crises epilépticas, contudo sua eficácia pode ser reduzida durante o tratamento da epilepsia. Drogas antiepilépticas interferem de maneira significativa sobre a eficácia dos contraceptivos, especialmente anticoncepcionais orais. A maioria das DAE é indutora do metabolismo hepático, acelerando a eliminação dos estrógenos em até 50% e reduzindo seus efeitos. Carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, primidona, topiramato, felbamato e oxcarbazepina são potentes indutoras enzimáticas e diminuem consideravelmente a potência dos contraceptivos. Valproato, gabapentina, vigabatrina, lamotrigina, zonisamida e benzodiazepínicos por outro lado, não parecem exercer efeitos significativos. O índice de falhas dos anticoncepcionais nessa população é estimado em até 8,5%, comparado com 1% das mulheres da população geral. É recomendada a administração de formulações contendo pelo menos 50 mg de estrógeno, devendo-se evitar as apresentações tipo mini-dose (tabela I). Freqüentemente ocorrem sangramentos durante o meio do ciclo menstrual, sugerindo que a dose hormonal é insuficiente. Mesmo em mulheres sem este sinal, não é possível prever a falha na anticoncepção. Prescrição de drogas não indutoras enzimáticas ou a combinação de método anticoncepcional de barreira pode ser uma alternativa mais eficaz.

TABELA I - Recomendações para o uso de DAE na mulher em idade fértil
1Utilizar anticoncepcional com pelo menos 50 mg de estrógeno. Combinar método de barreira.
2
3Discutir com a paciente os riscos da gestação para a mãe e feto, preferencialmente antes da gestação.
4Uso rotineiro de 1 a 5 mg/dia VO de acido fólico, preferencialmente antes da gestação e 10 mg/dia VO de vitamina K.
5Tratamento preferencial sob monoterapia, em doses fracionadas para evitar picos de dose. Não alterar o regime de tratamento durante a gestação
6Não existe droga de escolha durante a gestação. Evitar politerapia reduz a possibilidade de malformações fetais.
7Amamentação deve ser encorajada, exceto em casos de sonolência excessiva do neonato ou sinais de irritabilidade, mais freqüentes com fenobarbital e benzodiazepínicos.
8Incentivar cooperação na família para propiciar um horário adequado de sono para a mãe.
Modificado de Lopes-Cendes et al, 2000.

Complicações maternas

Gestantes epilépticas estão sujeitas a maior probabilidade de complicações que não epilépticas (tabela II). Observa-se com maior freqüência sangramento vaginal em 15 a 25% e descolamento prematuro de placenta em gestantes epilépticas, justificadas por diminuição na contratilidade uterina e deficiência de vitamina K. Indução do parto é realizado em 4,3 vezes mais freqüente e cirurgias cesarianas em até 2 vezes comparadas com controles. Estudos mais recentes demonstram uma redução nestes números, traduzida por uma melhor assistência médica demonstrando que muitas vezes a excessiva preocupação do médico assistente e paciente, pode ser responsabilizada como a causa das intervenções mais agressivas.

TABELA II - Resumo dos riscos da gestação em mulheres epilépticas
RiscoComplicações
25-33%Aumento na freqüência de crises
2 a 3 vezesRisco de descolamento prematuro de placenta
15 - 25%Risco de sangramento vaginal
7%Risco de hemorragia neonatal sem reposição de vitamina K
10%Risco de dismorfismo facial
4- 6%Risco de malformações maiores
1 - 2%Risco de espinha bífida com valproato
0,5 - 1%Risco de espinha bífida com carbamazepina
Modificado de YERBY, 1992.

Efeitos da gestação sobre a epilepsia
Freqüência de crises epilépticas na gestação e puerpério

A maioria das gestantes epilépticas não apresenta modificação na freqüência de crises durante a gravidez e puerpério. Cerca de um quarto a um terço das gestantes experimenta uma piora no controle das crises. Identificar corretamente a gestante que pode apresentar piora no controle das crises, especialmente crises tipo tônico-clônica generalizada pode minimizar a ocorrência de complicações para a mãe e feto.

Durante a gestação ocorrem modificações hormonais como aumento de gonadotrofina coriônica, progesterona e estrógenos. Estrógenos e gonadotrofina apresentam atividade epileptogênica em estudos experimentais e clínicos ao passo que progesterona exerce uma leve ação antiepiléptica, especialmente em modelos animais. Estes dados podem contribuir para justificar o maior número de crises no primeiro ou terceiro trimestres gestacionais observados em gestantes com aumento na freqüência. Não está claro na literatura se existe um predomínio em algum trimestre gestacional. Realizamos um estudo prospectivo em 50 gestantes epilépticas de julho de 1991 a setembro de 1999, das quais 28% aumentaram a freqüência de crises e não conseguimos identificar predomínio em qualquer trimestre gestacional ou fator de risco para aumento na freqüência. Em mulheres que apresentam piora no controle de crises, a falta de aconselhamento pré-gestacional com orientações sobre a evolução da gestação, complicações, importância da adesão ao tratamento medicamentoso e suplementação vitamínica parece ser um dos mais importantes fatores de descontrole de crises. A má-adesão ao tratamento, com suspensão ou redução voluntária da dose, por receio de malformações fetais é o principal fator de piora na freqüência. Infelizmente nos defrontamos, em nossa experiência, com gestantes que reduziram ou suspenderam suas medicações encorajadas por seus médicos, denotando desconhecimento dos riscos que a suspensão abrupta das DAE em qualquer momento, inclusive na gestação pode estar associada a crises tipo tônico-clônicas ou estado de mal, com graves conseqüências para o feto e paciente. Após o parto e durante o puerpério, quando a mãe se defronta com as exigências da amamentação, pode ocorrer um aumento na freqüência de crises causada por supressão do sono, possivelmente associado ao estresse da maternidade.
Outros fatores como modificações na farmacocinética das DAE, aumento do clearance metabólico, ganho de peso e edema, consumo de ácido fólico e sexo do feto não estão associados conclusivamente com descontrole das crises na gestação. O consumo de álcool, por sua propriedade de indução do metabolismo hepático com redução dos níveis das DAE e contribuição para má-adesão, e privação do sono podem estar relacionados com aumento no número de crises.

Um controle adequado das crises epilépticas pode ser obtido fornecendo-se informações claras e objetivas para a mulher, idealmente antes da concepção. A importância da manutenção do uso correto das DAE e dos horários de sono pode contribuir para que a maioria das gestantes se mantenha bem controlada durante a gestação.

Conseqüências da epilepsia e tratamento sobre o concepto
Complicações fetais

Mulheres com epilepsia apresentam maiores taxas de abortos provocados, possivelmente motivados por receio de malformações, descontrole das crises ou medo de transmissão da epilepsia para o feto. Alguns estudos têm observado a ocorrência de baixo peso ao nascer e de menor perímetro cefálico em filhos de mães epilépticas, particularmente em usuárias de politerapia com fenobarbital e primidona, sofrendo influência de fatores étnicos, genéticos e ambientais. Filhos de mães epilépticas apresentam menores índices de vitalidade perinatal (APGAR) e maiores taxas de mortalidade perinatal que a população geral. Acompanhamento médico adequado, particularmente com o uso racional das DAE e reposição de folato, podem melhorar significativamente esses resultados.

Malformações fetais

O maior receio de mães epilépticas, quando grávidas, é a de gerar uma criança malformada. As malformações podem ser divididas em malformações menores e maiores como fenda palatina e lábio leporino, anomalias craniofaciais, defeitos cardíacos e do tubo neural como espinha bífida, ocorrendo em 3 a 10% das gestações. Estes defeitos não são específicos de uma determinada DAE, ocorrendo também em filhos de mães usuárias crônicas de álcool. Uma exceção é a associação de valproato e carbamazepina com defeitos do tubo neural como espinha bífida, estimado em 1 a 2%. É importante salientar que mesmo mulheres não epilépticas apresentam um risco geral para malformações fetais da ordem de 2 a 3% das gestações. O risco de malformações aumenta quando em politerapia em altas doses e não fracionadas, especialmente com fenobarbital e primidona. Malformações menores ou anomalias são observadas freqüentemente na população geral em cerca de 14%. O achado associado de várias anomalias em filhos de mães epilépticas é descrito em cerca de 4% sendo que estas anomalias costumam tornar-se imperceptíveis com o crescimento da criança.

Os mecanismos propostos para explicar a ocorrência de malformações são a formação de substâncias tóxicas relacionadas a níveis elevados e politerapia com várias DAE, formação de radicais livres e deficiência de folato. O uso de DAE está associado a grande redução dos níveis de ácido fólico. Mães com filhos portadores de malformações fetais apresentam níveis mais baixos de folato que mães com filhos normais. A reposição de folato recomendada é de 0,4 a 5 mg/dia e deve ser realizada rotineiramente, no mínimo 3 meses antes da concepção.
É importante salientar que apesar desses dados, o uso rotineiro pré-gestacional de folato previne a ocorrência de malformações e que mais de 90% das gestantes epilépticas geram filhos completamente saudáveis.

Amamentação

O uso de DAE costuma ser mantido durante a gestação e puerpério. Entretanto freqüentemente nos questionam sobre a segurança de amamentar o neonato. A decisão de amamentar ou não deve ser baseada em vários fatores como a vontade da mãe, número de DAE em uso, condição clínica do neonato e perfil farmacocinético das DAE com suas diferentes taxas de excreção no leite (tabela III). As concentrações das DAE variam no início e final da amamentação e de um seio para outro.

Na maioria dos casos a amamentação deve ser encorajada. Dar de mamar sentada no chão pode ser uma opção para mães com crises freqüentes. A ocorrência de sinais adversos como abalos, irritabilidade ou sonolência pode sugerir a interrupção da amamentação. Medicações sedativas como benzodiazepínicos e barbituratos são as mais relacionadas com alterações do sono e comportamento no lactente. Valproato, apesar de baixa taxa de excreção pode ser responsabilizado por reações idiossincráticas no neonato. Uma alternativa nestes casos é evitar a amamentação no período neonatal precoce quando os níveis das DAE são altos e a criança muito pequena.

TABELA III - Taxas de excreção das DAE no leite humano
Valproato5 - 10%
Fenitoína30%
Fenobarbital40%
Carbamazepina45%
Primidona60%
Etossuximida90%
Lamotrigina23 -50%

Considerações gerais

A condução do tratamento de mulheres epiléptica deve ser realizada com clareza, instruindo a paciente sobre os riscos de uma gestação, salientando que mais de 90 % tem filhos saudáveis. Deve-se também repor rotineiramente ácido fólico e administrar DAE em doses fracionadas, evitando-se as associações de medicações.

Referências Bibliográficas:
- Kaneko S. Epilepsy, pregnancy, and the child. Epilepsia 2000;41(suppl.9):8-13.
- Lopes-Cendes I, Guerreiro CAM, Costa ALC. Aspectos reprodutivo-endócrinos. In: Guerreiro CAM et al, (eds). Epilepsia, 3a.ed. São Paulo. Lemos Editorial, 2000:243-246.
- Sawhney H, Vasishhta K, Suri V, Khunnu B, Goel P, Sawhney IMS. Pregnancy with epilepsy - a retrospective analysis. Int J Gynaecol Obstet 1996;54:17-22.
- Tanganelli P, Regesta G. Epilepsy, pregnancy, and major birth anomalies: An italian prospective controlled study. Neurology 1992(suppl 5):89-93.
- Tomsom T. Seizure control during pregnancy and delivery. In: Tomsom T. et al,(eds). Epilepsy and pregnancy, Petersfield,Wrightson biomedical publishing Ltd,1997:113-123.
- Vert P, Deblay MF. Hemorragic disorders in infants of epileptic mothers(IEM).In: Janz D, Dam M, Richens A, Bossi L, Helge H, Schmidt D.(eds). Epilepsy, pregnancy, and the child. Raven press, New York, 1982:387-388.
- Yerby MS. Risks of pregnancy in women with epilepsy. Epilepsia 1992;33(suppl.1):S23-27.

Alberto Costa e Carlos Guerreiro são docentes do Departamento de Neurologia, FCM Unicamp

Fonte: http://www.comciencia.br/reportagens/epilepsia/ep20.htm


O QUE DEVO SABER SOBRE A EPILEPSIA

O QUE DEVO SABER SOBRE A EPILEPSIA




Biogalênica Produtos CIBA-GEIGY
Publicação Original: Geigy Pharmaceuticals CIBA-GEIGY CORPORATION, New York
Edição brasileira organizada em colaboração com o Capítulo Paranaense da Liga Brasileira 
de Epilepsia - Tradução: Dr. Paulo Rogério M. de Bittencourt Chefe da Unidade de Neurologia 
do Hospital N.S. das Graças, Curitiba - Secretário do Capítulo Paranaense da L.B.E 



      INTRODUÇÃO
      Epilepsia não é brincadeira, mas também não é o fim do mundo. Muitas pessoas famosas, pessoas que alteraram o curso da história, tiveram epilepsia. Você acreditaria que Júlio César e Alexandre o Grande, para citar só dois, tinham este problema? Eles se deram bastante bem na vida, mesmo sem a medicação que temos hoje.
      Com o auxílio de novos medicamentos, muitas pessoas com epilepsia têm perfeita condição de conseguir uma boa educação, bons empregos e vidas tranqüilas. As chances são grandes de que qualquer paciente possa conseguir isso.

      ALGUMAS PERGUNTAS SOBRE EPILEPSIA

      Enfim, o que é epilepsia?
      Para ajudar o entendimento do que é epilepsia, é interessante considerar o cérebro como um tipo de computador. Como as partes de um computador as células cerebrais são conectadas entre si e se comunicam por impulsos elétricos. Algumas vezes, no entanto, há atividade elétrica anormal rio cérebro: o resultado físico visível para todos é uma crise de epilepsia.
      Quando isto acontece a alguém várias vezes, esta pessoa tem epilepsia, uma doença que produz crises. Uma crise, então, é uma situação temporária, um período curto no qual o cérebro é “tomado” por descargas rápidas e fortes de atividade elétrica.
      Se o distúrbio elétrico afeta somente parte do cérebro o resultado é o que se chama uma crise parcial. A forma mais comum de crise parcial é chamada uma crise parcial complexa. A pessoa pode se sentir tonta, confusa, ver manchas à sua frente, ouvir ruídos nos seus ouvidos. Ela pode ficar mexendo com sua roupa, movendo seus braços e pernas de uma maneira despropositada, e não ter consciência das suas ações e do que está em volta de si. Freqüentemente a pessoa não consegue lembrar o que aconteceu quando a crise termina. Este tipo de crise pode ser erradamente considerada de origem emocional ou mental. Não é.
      Um outro tipo de crise parcial pode envolver a parte do cérebro que controla um grupo específico de músculos, por exemplo, do braço direito. Em uma crise o braço direito pode ficar rígido e depois se mover de maneira incontrolável. Mas outros músculos não são afetados. Em alguns tipos de crise o problema existe na parte do cérebro que controla as funções vitais automáticas. O resultado pode ser enjôo ou cólicas, ou uma alteração na freqüência do pulso, tudo depende de que parte do cérebro esteja afetada.
      Quando o cérebro inteiro é afetado, o resultado é uma crise generalizada. Um tipo de crise generalizada é a chamada tônico-clônica; o nome mais tradicional é crise de grande mal. Independente do nome, este é o tipo de crise que a maior parte das pessoas associam com epilepsia. Uma pessoa que tenha uma crise de grande mal pode subitamente perder a consciência e cair, todos os seus músculos se tornando rígidos, até a fase em que o corpo todo começa a tremer. Após dois ou três minutos, que parecem ser muito mais longos, o tremor termina. Na maior parte das vezes a pessoa pode, após descansar algum tempo, levantar-se e continuar o que vinha fazendo antes da crise.
      Um outro tipo de crise generalizada é aquela chamada ausência (pequeno mal). Esta crise pode ser tão rápida a ponto de nem ser notada. Pessoas com ausência olham para o nada à sua frente por alguns momentos, como se estivessem sonhando acordados, e depois continuam a fazer o que estavam fazendo antes. Não há movimentos violentos de pernas ou de braços. A pessoa fica, no entanto, inconsciente por um breve período de tempo.
      Crises de ausência costumam durar poucos segundos mas podem ocorrer muitas vezes ao dia, se não tratadas.
      As crises aqui descritas são aquelas vistas mais freqüentemente. Há alguns outros tipos de epilepsia. O seu médico pode lhe contar mais detalhes.

      O que causa epilepsia?

      Nós sabemos que na epilepsia algumas células cerebrais estão descarregando energia elétrica quando não deveriam, mas muitas vezes nós não sabemos por quê. Freqüentemente não há explicação óbvia para o fato de alguém ser portador de epilepsia. A epilepsia pode aparecer após um trauma craniano ou pode ser causada por problemas de saúde durante a gravidez, ou ainda pode ser um efeito tardio de doenças da infância, como sarampo. Deficiências nutricionais ou tumores cerebrais (muito raramente) podem ser a causa.
      No entanto, na maior parte dos casos não é possível determinar especificamente a causa da doença. Neste caso o problema é chamado epilepsia idiopática. Significa somente que a causa é desconhecida.

      A quem eu devo contar e o que eu devo dizer?

      Partindo do ponto de vista de que a epilepsia não é nada que possa causar vergonha, não há razão por que as pessoas que você vê no dia-a-dia ou que são importantes para você deixem de saber que você tem uma doença que produz crises. Amigos mais próximos e parentes, vizinhos, seus colegas, seus professores, seu dentista, seu técnico ou professora de dança, todos deveriam ser informados. Com o progresso da cultura muitas pessoas sabem um pouco sobre epilepsia. Eles entenderão o seu problema e aceitarão você como “uma pessoa que tem epilepsia”. O que é importante é que eles entenderão que, exceto pela epilepsia, você deve ser como qualquer outra pessoa da sua idade.


      Infelizmente, outras pessoas ainda não entendem. Elas acham que uma pessoa com epilepsia é um ser diferente, e de alguma maneira desagradável. Elas podem rejeitar a pessoa com epilepsia por razões pelas quais não conseguem entender. Considere isto como sendo azar delas. Fique com pessoas que entendem a sua situação e gostam de você pela pessoa que você é. Existem muitos assim em torno de você, O que você diz às pessoas sobre um problema seu, particular, especificamente no caso da epilepsia, em geral depende de com quem você está falando. Você terá que usar seu próprio julgamento. Seus pais e médicos podem ajudá-lo. Você pode certamente aprender alguma coisa com outras pessoas que tenham encarado o mesmo problema.
      Sua sociedade local de epilepsia pode ter um grupo de que você possa participar. Ou seu médico talvez possa lhe colocar em contato com alguém como você, para que possam trocar idéias.
      Sobre quanto dizer a outras pessoas, um adulto responsável, tal como seu professor ou orientador da escola, deve saber suficiente sobre a sua situação para orientá-lo. Seus professores provavelmente apreciarão se você e seus pais se sentarem com eles para uma troca de idéias. Existem Organizações Internacionais de Epilepsia que preparam material educacional para professores. No Brasil este aspecto é pouco desenvolvido pela falta de voluntários dispostos a adaptar este material para nossas condições.
      Amigos devem ter uma idéia do que seja epilepsia, pelos menos superficial, e saber o que fazer se eles estão perto de alguém com uma crise. Observar uma crise pode assustar muito a alguém que não sabe o que está acontecendo.
      Obviamente, você não pode contar a todas as pessoas que você encontra e a todos os seus colegas tudo sobre epilepsia. Mas o pessoal conversa, e se você contar de maneira direta quando julgar necessário as chances são de que eles entendam da maneira como você conta.



      Como a epilepsia afeta a minha vida?

      É bom enfrentar o problema: a epilepsia vai afetar a sua vida.., mas não demais. Como um adulto você não poderá se tornar um piloto de avião ou trabalhar em alturas desprotegido. Mas você pode ir à escola, inclusive universidade. Não há razão pela qual você não possa ser um médico, advogado, pessoa de negócios, qualquer coisa. Na verdade há muito pouco que você não pode fazer. As pessoas com epilepsia podem casar, ter filhos e levar vidas normais.
      Enquanto você é jovem não há diferença com outras pessoas da sua idade. Você pode namorar e se divertir em festas. Pode ir à praia, a excursões ou passar o tempo com os seus amigos, como qualquer outro.
      Pode ser formada uma sociedade de epilepsia na sua cidade onde pessoas do seu grupo de idade possam aprender com os problemas dos outros. Pode ser uma grande ajuda saber como outra pessoa, muito parecida com você, conseguiu conviver com a sua epilepsia.

      VOCÊ PODE FAZER MUITO PARA SE AJUDAR

      Pessoas com epilepsia
      Você vai ficar agradavelmente surpreso com o que pessoas com epilepsia fazem hoje. Há alguns no Congresso, outros trabalhando como físicos. Eles sobem montanhas, praticam esportes profissionais e dançam ballet, até andam de asa deita. Não há razão pela qual a epilepsia deva impedi-lo de levar uma vida ativa.
      Algumas das pessoas mais famosas da História, grandes generais como Júlio César, Alexandre Magno e Napoleão Bonaparte; grandes escritores como Feodor Dostoievski, Gustave Flaubert e Dante Alighieri tiveram epilepsia. Alfred Nobel, dos prêmios Nobel, tinha epilepsia. Também Peter Tchaikovski, Vincent Van Gogh, Budha e São Paulo. Precisamos dizer alguma coisa mais sobre seu futuro?




      Sobre a sua medicação

      Seu médico escolheu seu medicamento baseado na sua idade, condição física e tipo de crise. É importante que você tome sua medicação regularmente e de acordo com a receita do médico. Na infância os pais tomam conta da medicação. Mas à medida que se vai tornando adulto, você deve assumir esta responsabilidade.
      Lembre que o medicamento que você toma não vai curar a epilepsia, mas ajuda a eliminar as crises ou reduzir seu número. Algumas vezes a medicação termina completamente com as crises, por muitos meses. Novamente isto não significa que a epilepsia esteja curada; você não deve parar de tomar a medicação ou diminuir a quantidade mesmo que você tenha estado livre de crises por muitos meses. Somente um médico pode decidir quando é a hora de parar ou alterar a medicação. Você pode ajudar seu médico mantendo a agenda de quaisquer crises que você tenha e trazendo-a quando for visitar seu médico. Desta maneira ele poderá decidir se você está tomando a quantidade correta da medicação.
      Embora seja importante a tomada regular dos remédios, perder uma dose não é um problema enorme. Só tenha certeza que a próxima dose seja tomada na hora correta. Se houver dificuldade de lembrar quando tomar a próxima dose, é útil preparar todas as doses antes marcando as horas ao lado. Tenha certeza de que o remédio esteja onde crianças não possam achá-lo!

      Dieta, exercício, atividades

      Uma pessoa com epilepsia necessita o mesmo tipo de dieta que todas as outras deveriam utilizar. Não há necessidade especial de vitaminas ou minerais por causa da epilepsia. Exercício é bom para todos. Porém, se você não tem estado ativo, comece lentamente. E existem alguns tipos de atividade física dos quais você pode não querer tomar parte, a menos que suas crises estejam bem controladas.
      A maior parte dos médicos permite que um paciente com crises bem controladas vá nadar numa piscina ou na praia, desde que haja um bom nadador por perto. Andar de bicicleta novamente não é um problema se as crises estiverem bem controladas. Esportes onde não há grande risco, como tênis ou futebol, são provavelmente mais seguros do que mergulho, andar a cavalo ou esqui. Na verdade, quanto mais uma pessoa com epilepsia participar em atividades com amigos, melhor.

      A adolescência

      Ser adolescente é difícil. Ser adolescente com epilepsia é um pouco mais difícil, mas não impossível. A maior fonte de problemas para a maioria dos adolescentes é a sua vida social. Como já mencionado, a epilepsia não é nada que possa causar vergonha, você não tem nada a esconder. Explique sua situação às pessoas que se tornarem seus amigos. Muitos deles ficarão surpresos inicialmente, mas quando entenderem seu problema o aceitarão pela pessoa que você é, alguém como eles que por acaso tem epilepsia. Não há razão pela qual sua epilepsia deva impedir que você namore, vá a festas, vá ao clube, visite seus amigos, participando da maior parte dos esportes e simplesmente vivendo bem. Mas não exagere.
      Muitas pessoas com epilepsia têm crises mais freqüentes quando eles estão cansados ou após dormir mal.

      Dirigir

      Quase todos dirigem veículos hoje em dia. Em alguns locais não há outra maneira de se movimentar. E se suas crises estiverem sob controle completo você pode dirigir também. No Brasil não há leis claras sobre carteiras de motorista para portadores de epilepsia. Seu médico é a pessoa mais indicada para lhe aconselhar sobre quanto tempo você deve estar sem crises para depois guiar. Se você tem crises durante o dia ou se sua medicação está sendo alterada, você não deve dirigir, O risco para você ou para outros na rua é muito grande, e você será o responsável por quaisquer acidentes.

      A faculdade, e depois, a luta por um emprego

      A maior parte das pessoas com epilepsia tem perfeita capacidade de freqüentar universidade e conseguir aprovação. Se forem satisfeitos os outros requisitos escolares não há problema quanto a ser aceito. Você talvez tenha que dar esta informação à escola, e talvez seja melhor ter uma carta de seu médico descrevendo sua história médica e a medicação que você toma.
      Quando chega na questão de empregos, a melhor atitude é a recomendada a todos. Você deve pensar muito seriamente sobre o que gostaria de fazer, e sobre o que tem condições de fazer, considerando quão bem suas crises estejam controladas. Há vários órgãos governamentais que podem ajudar o paciente a ser treinado para emprego apropriado, e a Coordenadoria Regional de Reabilitação Profissional do INPS existe com esta finalidade.

      Casamento

      A primeira coisa que você deve saber é que epilepsia por si mesma não tem efeito na capacidade sexual de uma pessoa, nem há qualquer razão para que pessoas com epilepsia deixem de usar pílulas anticoncepcionais. Se você tiver alguma dúvida, converse com seu médico.
      Não deixe a timidez tomar conta; ele já ouviu tudo o que você perguntar mais do que uma vez.
      Pessoas com epilepsia imaginam se alguém “normal” casará com eles. Todo tipo de questões aparecem, a maioria relacionada com a dúvida de contar ou não a outra pessoa. A resposta é sim. Um casamento baseado em menos do que 100% de confiança já está em perigo a partir do início, isto não significa que você deve contar a alguém com quem tenha um encontro casual sobre o seu problema. Mas quando um relacionamento começa a ficar sério, é tempo de que seja completamente honesto. Não fique surpreso se isso levar ao fim do relacionamento. Mas quase com certeza era a melhor saída, de qualquer maneira.
      E sobre crianças? Será que eles terão epilepsia? As chances são pequenas de que os seus filhos venham a ter uma doença que produza crises, a menos que ambos os pais venham de famílias com muitos membros que tenham epilepsia. Faz sentido, no entanto, procurar um médico que entenda de aconselhamento genético antes de ter crianças.

      Ajudando os outros a entender

      Como mencionado antes, e vale a pena repetir, epilepsia não é uma condição que cause vergonha. Não há nada a esconder. Infelizmente, no entanto, algumas pessoas ainda vêem epilepsia como algo muito estranho e diferente, e rejeitarão um indivíduo com epilepsia. Você pode ajudar a alterar as noções erradas das outras pessoas. Se você fizer uma única pessoa entender que gente com epilepsia é semelhante a todos, então você estará fazendo a vida um pouco mais fácil para todos seus companheiros de crises. Você deve isso a si mesmo e a todos com epilepsia. Lembre que qualquer pequena ajuda é de grande valia.

      Muitas pessoas se preocupam com você

      Epilepsia não é nenhuma brincadeira, mas também não é o fim do mundo. Seria muito difícil para você se tivesse que fazer tudo por sua conta. Mas você não tem: Há muitas pessoas ao seu lado.
      Seu médico é a pessoa com quem você deve falar sobre sua condição física, mas quando se tratar de questões de aconselhamento sobre escola, empregos, seus direitos legais, carteira de motorista, todas as coisas que fazem uma vida, você deve fazer contato com sua sociedade de epilepsia, embora no Brasil estas ainda estejam em fase inicial de desenvolvimento, com falta de gente que queira trabalhar, e também de recursos.

Fonte: http://www.psiquiatriageral.com.br/epilepsia/manual_epilepsia.htm





TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ

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Autor:  92 COMENTÁRIOS - Atualizado em 

sábado, 13 de junho de 2015

Sociopatia e a Psicopatia

Qual a diferença entre a sociopatia e a psicopatia?

Hoje falaremos a respeito da diferença existente entre sociopatas e psicopatas, bem como sobre suas semelhanças. Bem, a primeira semelhança que podemos notar é o sufixo patia, que vem do latim pathos. Sempre achei interessantíssima esta palavra latina que deu origem a palavras com significados tão distantes como paixão, sofrimento, doença (pathos em patologia). No caso da sociopatia e psicopatia, pathos tem o sentido de doença.

Sociopatia versus Psicopatia

As duas doenças são consideradas pela psiquiatria como desordens de personalidade antissociais. Na psiquiatria, uma velha questão sempre está presente. Ao perguntar a causa de uma doença mental, os psiquiatras desde o início de sua especialidade questionavam se a origem deveria ser buscada na biologia (genética) ou na influência do meio.
Embora ainda não seja um fato estabelecido, os pesquisadores tendem a considerar que a psicopatia é genética, enquanto que a sociopatia possui como causa não só a genética, a predisposição hereditária, como a influência do ambiente é fundamental para a sua eclosão.
O que difere um sociopata de um psicopata?
Um psicopata já nasce com um temperamento bem delineado: é impulsivo, possui ausência de medo que leva a comportamentos que buscam o risco e, principalmente, possuem uma grande inabilidade de internalizar as normas sociais. Um sociopata possui um temperamento próximo ao do indivíduo comum, sendo a sua doença causada mais por fatores negativos na socialização tais como negligência dos pais, pobreza extrema. Um sociopata pode ter QI (quociente de inteligência) extremamente alto ou extremamente baixo.
O que aproxima as duas doenças mentais é que ambas são desordens de personalidade antissocial, e podem resultar em atos de violência que podem ser terríveis como assassinatos com requinte de crueldade.

Quadro sobre as diferenças entre a sociopatia e a psicopatia

PSICOPATIA
Predisposição à violência  –   Alta
Impulsividade     –  Alta
Comportamento     –   Errático
Comportamento Criminoso     –  Deixa pistas por ser impulsivo
Predisposição Criminal    –    Tendência a crimes passionais ou impulsivos
Relacionamentos Sociais    – Dificuldade de manter relacionamentos
SOCIOPATIA
Predisposição à violência  –  Variada
Impulsividade       –     Variada
Comportamento  – Controlado
Comportamento Criminoso  – Tendência a calcular seus atos para não deixar pistas
Predisposição Criminal   –   Tendência a crimes premeditados
Relacionamentos Sociais  – Tendência de aparecer normal em um relacionamento

Relacionamentos na psicopatia e na sociopatia

Em geral, psicopatas vivem alheios à sociedade, pois são desorganizados mentalmente e incapazes de manter um relacionamento estável com qualquer um, seja família, amigos ou colegas de trabalho. Ao contrário dos psicopatas, os sociopatas apresentam-se como normais e estáveis em seus relacionamentos, e não é raro terem relações que são simbióticas ou parasitárias. Um sociopata, deste modo, parecerá aos outros ter uma vida comum, misturando-se à sociedade. De fato, eles podem ser muito charmosos.

Trabalho

Dadas as características acima, podemos ver que os psicopatas dificilmente conseguirão manter estabilidade em sua carreira profissional. Os sociopatas, ao contrário, conseguirão ser bem sucedidos e vão tentar fazer com que os outros gostem e confiem neles. A diferença, neste quesito, reside no fato de que os psicopatas não possuem emoções como as pessoas normais (em virtude de uma função anômala na região do sistema límbico, responsável pelas emoções e empatia). Os sociopatas também são incapazes de sentir as emoções como um indivíduo comum, porém, ele consegue entender o seu sentido, o que um psicopata não consegue.
Tendências violentas
Os atos de violência provocados por um psicopata são arroubos de violência e são sempre erráticos e não planejados. Assim, em um crime, eles são geralmente encontrados pois deixam pistas e traços que permitem ao perito provar a culpa.
Um sociopata, por outro lado, pode planejar seu crime ou ato de violência com anos de antecedência. Sua motivação pode ser por vingança ou ganância. Como são atos meticulosamente planejados podem não deixar rastros que os conduza a uma acusação formal ou prisão.

Conclusão

No texto que escrevi sobre o TDAH ser uma mentira, eu argumento que toda doença mental é uma construção. Quer dizer, são úteis para os profissionais que trabalham na área se orientarem a respeito do comportamento antissocial (no caso da sociopatia e psicopatia) ou outros tipos de comportamento que levam sofrimento ao próprio indivíduo ou à sociedade.
No caso da sociopatia e da antipatia o que é mais interessante são as novas pesquisas da neurociência sobre o sistema límbico. O sistema límbico, formado pela amígdala e hipotálamo, é responsável pelo processamento das emoções. Nas duas doenças vemos que a ausência de emoções representa o centro do problema.
Já há algumas décadas que o sistema límbico vem sendo estudado como uma importante área para a compreensão das emoções. Por exemplo, indivíduos que sofrerem algum tipo de dano cerebral na região da amígdala ou hipotálamo, de uma hora para outra, começaram a apresentar comportamentos antissociais.
A sociopatia e a psicopatia são duas doenças que chamam muito a atenção do público em geral por serem doenças que aparecem na mídia através dos crimes de seus portadores. Para os peritos da psicologia criminal, em diversos casos, pode ser complicado estabelecer a responsabilidade do sujeito pelos seus atos, embora na grande maior parte das vezes, os criminosos sociopatas e psicopatas sejam considerados culpados e presos (quando há provas).
Porém, se pensarmos nas causas cerebrais e até sociais destas duas doenças, poderemos entender melhor como não se trata tanto de uma culpa (apesar de continuar sendo um problema quando se transforma em crime) e sim de doenças.
Para concluir, devemos mencionar os tratamentos que são realizados na atualidade. Basicamente, os tratamentos são através de terapia e medicamentos. Os especialistas que trabalham nesta área geralmente não distinguem tanto se é sociopatia ou psicopatia, mas tratam ambas as manifestações como desordem de personalidade antissocial. O diagnóstico diferencial de sociopatia ou psicopatia se dará em virtude de a condição ter sido causada por influências do meio (como abuso infantil) ou não.
Os sintomas começam a aparecer, em média, a partir dos quinze anos de idade: crueldade com animais, ausência de consciência, remorso ou culpa por atos antissociais. O sujeito pode até entender a norma social, porém não há qualquer resposta emocional das consequências dos próprios atos.
Fonte: https://www.psicologiamsn.com/2014/01/qual-a-diferenca-entre-sociopatia-e-psicopatia.html


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Obstrução urinária

Obstrução urinária

"Toda a obstrução do fluxo da urina em qualquer ponto das vias urinárias deve ser detectada e tratada oportunamente, pois pode favorecer o desenvolvimento de infecções e alterar o funcionamento dos rins."

Tipos


De acordo com a localização do ponto de obstrução do fluxo de urina, a doença pode ser classificada em dois tipos. Na obstrução urinária supravesical, a obstrução situa-se num segmento anterior a bexiga, ou seja, nos cálices renais, nos bacinetes ou nos uréteres. Nestes casos, a doença pode ser unilateral, caso exista uma obstrução apenas num dos lados das vias urinárias, ou bilaterais, caso exista um obstáculo em ambos os lados. Na obstrução urinária infravesical, a obstrução localiza-se na bexiga ou na uretra, comprometendo o fluxo da urina nos dois lados das vias urinárias superiores. Em ambos os casos, é possível distinguir duas formas da doença, de acordo com o grau de obstrução: obstrução urinária completa, caso o fluxo de urina seja completamente interrompido, e obstrução urinária incompleta, caso a urina consiga fluir, apesar do obstáculo, com maior ou menor dificuldade. Por fim, segundo a sua duração, pode-se falar de obstrução urinária aguda, quando o problema se apresenta bruscamente, embora desapareça geralmente ao fim de alguns dias, ou de uma obstrução urinária crónica, quando se desenvolve de maneira progressiva e se mantém durante um período prolongado, no mínimo durante várias semanas ou indefinidamente. 

Causas


A obstrução urinária pode ter origens muito variadas. Uma das causas mais frequentes corresponde a litíase urinária, ou seja, a formação de cálculos no interior das vias urinárias. Estes cálculos podem originar, segundo a sua localização e tamanho, praticamente qualquer tipo de obstrução urinária.

Uma causa igualmente frequente da doença são os processos infecciosos persistentes ou repetidos das vias urinárias, sobretudo da uretra, bexiga e bacinete, pois a sua consequente inflamação pode acabar por estreitar, em maior ou menor medida, a entrada de algum dos canais por onde circula a urina.

Para além disso, os tumores das próprias vias urinárias e os dos órgãos vizinhos (sobretudo os da próstata) podem provocar uma obstrução urinária, devido a obstrução dos canais, no primeiro caso, ou devido a compressão externa dos mesmos, no segundo caso.
Por fim, noutras situações, a obstrução é provocada ou favorecida por razões muito diversas, tais como a existência de alterações na anatomia das vias urinárias ou problemas nos mecanismos nervosos que intervêm na micção (por exemplo, a bexiga neurogénica). 

Sintomas e complicações


As manifestações variam bastante conforme o tipo, a duração e a gravidade da obstrução.
Na obstrução urinária supravesical aguda, quase sempre provocada pelo encravamento de um cálculo num dos canais das vias urinárias superiores, a manifestação mais frequente 6 a cólica renal, ou seja, uma dor intensa que surge bruscamente na zona baixa das costas, costumando alastrar para um dos lados ou para a área inguinal do mesmo lado. Estes episódios não costumam dar origem a complicações; no entanto, nos casos mais graves, podem provocar uma insuficiência renal aguda ou infecções nos tecidos vizinhos, tais como perinefrites ou abcessos perirrenais.

A obstrução urinária supravesicular crónica costuma ser provocada por processos infecciosos não tratados ou mal curados, litíase ou tumores. Embora estas doenças costumem originar vários sinais e sintomas, nomeadamente cólicas renais repetidas, em muitos casos, a obstrução em si evolui de forma assintomática, apesar de a urina continuar a acumular-se nos segmentos superiores a obstrução.

As complicações das obstruções supravesiculares aguda e crónica são, obviamente, mais frequentes e graves quando a obstrução é completa, quando afectam uma pessoa que apenas possui um rim em funcionamento e nos casos raros em que compromete, ao mesmo tempo, ambos os lados das vias urinárias superiores.

A obstrução urinária infravesical aguda, normalmente provocada por cálculos que obstruem a uretra, como costuma bloquear por completo a eliminação da urina, provoca uma retenção urinária. Neste caso, as manifestações mais graves são a necessidade de eliminar a urina e a impossibilidade de o fazer, associada a uma dor provocada pela súbita e progressiva dilatação da bexiga. Esta situação pode ser corrigida através do tratamento adequado ou até espontaneamente, por exemplo, caso o cálculo encravado se desloque ou seja finalmente expulso com a urina. De qualquer forma, se a obstrução persistir, a urina vai-se acumulando e dilatando as vias superiores de ambos os lados, acabando por se infiltrar no tecido renal, o que favorece o desenvolvimento de infecções ou até de uma insuficiência renal aguda.

A obstrução urinária infravesical crónica é mais frequente nos homens com mais de 50 anos de idade e costuma ser provocada por doenças da próstata. Durante as primeiras fases, como a obstrução não total, os sintomas mais comuns são a perda de força do jacto urinário, micções pouco volumosas e muito frequentes e uma sensação quase permanente de vontade de urinar. Contudo, nas fases mais avançadas, começa a surgir uma sensação moda ou uma dor durante as micções (disúria), sendo frequentes as complicações infecciosas na uretra, que se manifestam por ardor e pequenas perdas de sangue com a urina. Por fim, caso a obstrução seja total, provoca uma retenção urinária com todas as suas manifestações e eventuais complicações. 

Tratamento


O tratamento baseia-se, sempre que possível, na correcção da causa da obstrução urinária e na prevenção ou tratamento das possíveis complicações, como as infecções ou a insuficiência renal. Todavia, enquanto não se consegue a correcção da causa da obstrução, pode ser necessário recorrer a algum procedimento que vise a resolução da própria obstrução, de forma a garantir a eliminação da urina acumulada nas vias urinárias. Esta desobstrução pode ser realizada de várias maneiras, de acordo com a localização da obstrução, a natureza e a gravidade.

Em muitos casos, se a obstrução se situar na uretra, na bexiga ou num uréter, a sua desobstrução costuma ser realizada através de uma algaliação urinária, ou seja, na introdução através do meato urinário de um cateter especial, de vários tipos segundo a dimensão do obstáculo. Em alguns casos de obstrução crónica, a algaliação urinária deve ser realizada durante prolongados períodos de tempo, de modo a garantir a completa drenagem da urina.

Caso não se consiga eliminar a obstrução através do método citado ou caso esta se situe nos segmentos superiores das vias urinárias, pode ser necessário recorrer a outros procedimentos. Um deles corresponde a punção suprapúbica, ou seja, a introdução de uma agulha grossa (trocarte) através da parede abdominal, por cima da púbis, até a bexiga. Uma outra possibilidade consiste na introdução de um cateter através de uma punção na zona lombar, por exemplo, até alcançar directamente um bacinete. Em último caso, deve-se recorrer a cirurgia.


Fonte: http://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=292