sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Cardiomiopatia por estresse

Cardiomiopatia por estresse



Angina, alterações no ECG como elevações do segmento ST ou inversões T, somadas a alterações na troponina em geral são investigadas com cateterismo cardíaco. Não infrequentemente uma lesão coronariana culpada não é evidente. A presença de significativa disfunção ventricularesquerda e acinesia simétrica envolvendo os segmentos médio e apical com hipercontratilidade relativa da base cardíaca são altamente sugestivos da cardiomipatia de stress (Figura 1).



Fig 1. Exemplo croronariografia normal em paciente com ECG acima (supra ST V2-V6 e D1 -AVL) apresentando alterações na parede apical e médio-ventricular.

cardiomiopatia por estresse pode ocorrer após o estresse mental oufísico agudo, hemorragia subaracnoide, acidente vascular cerebral isquêmico,trauma crânio encefálico, doenças agudas críticas (choque séptico), durante uma crise de feocromocitoma ou como um resultado de administraçãoexógena de catecolaminas (Figura 2). 


O mecanismo fisiopatológico proposto no contexto de cardiomiopatia secundária a injurias neurológicas está exposto na Figura 3.


Figura 3. Mecanismo fisiopatológico proposto na justificativa da injuria neurocardiogênica


No ambiente de UTI, especialmente onde o risco de sangramento, comorbidades ou doença aguda grave limitam o cateterismo, podem ser indicadores úteis que a disfunção do VE é devido ao cardiomiopatia induzida por estresse:
  • disfunção ventricular esquerda aguda grave sem uma elevação significativa da troponina sérica e/ou creatina quinase MB.
  • ecocardiografia observando acinesia estendendo-se igualmente nas paredes inferior e lateral como o antero-septal. Geralmente na doença coronariana da artéria descendente anterior, a extensão da lesão antero-septal é maior do que as paredes inferior e lateral. Já as lesões da coronária esquerda ou circunflexa, se não dominante, geralmente poupa a porção antero-septal.
  • repetição da ecocardiografia em poucos dias ou semanas confirmam recuperação completa da função do VE
          Um roteiro diagnóstico proposto pela American Heart Association está exposto na Figura 4.


Opções de tratamento da cardiomiopatia por estresse nos ambientes de UTI, resume-se na identificação e tratamento eficaz da condição médica ou cirúrgica preceptante. O tratamento de suporte inclui tratar insuficiência cardíaca e arritmias, bem como otimização hemodinâmica e parâmetros metabólicos. A anticoagulação é tema ainda incerto, especialmente no contexto do paciente crítico. O prognóstico pode não ser benigno, com formação de trombo  em VE (3,8%), insuficiência cardíaca congestiva (3,8%), e óbito (3,2%).  
      A cardiomiopatia por estresse é uma condição completamente reversível caso o paciente supere a fase aguda da injúria, sendo que a longo prazo o prognóstico cardíaco é geralmente bom. 

Referências: 
1. www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3224539
2. www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1847940  
3. www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2060582

Fonte: http://www.pacientegrave.com/2012/02/cardiomiopatia-por-estresse.html

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

BOMBA DE INFUSÃO

ENTENDENDO A BOMBA DE INFUSÃO


A bomba infusora ou bomba de infusão, é um dos mais práticos recursos hoje em dia disponíveis em Unidade de Terapia Intensiva, Salas de Emergência e até mesmo em algumas ambulâncias modernas. Através dela, podemos administrar de maneira totalmente confiável as drogas, fármacos mais delicados e de que precisam de mais atenção, de acordo com as vazões ou dosagem em mg/min ou ml/h.
É indicada para todo doente com prescrição de infusão de drogas vasoativas importantes, sedações contínuas, insulinas, soros de manutenção e reposição eletrolíticas, Nutrição parenteral prolongada ou Nutrição parenteral total, dietas enterais, antibioticoterapias rigorosas.
Há diversos modelos e tipos de bombas de infusão: Bomba de insulina, Bomba de ACP (Analgesia Controlada pelo Paciente), Bomba de seringa, Bombas peristálticas, Linear Peristálticas, Bomba de infusão volumétricas, etc. Os modelos variam de cada fabricante, portanto, uns são mais fáceis de aprender a manusear rapidamente do que o outro.
Segue na ilustração acima, dois modelos de bomba de infusão: Baxter Colleague com 3 canais diferentes, e Life Med monocanal.
São algumas das principais drogas utilizadas em UTI que requerem controle rigoroso por bomba de infusão (Veja mais sobre drogas utilizadas em UTI aqui):
  • As Vasoativas como Noradrenalina, dobutamina, dopamina, vasopressina, nipride (nitroprussiato de sódio), adrenalina.
  • As sedativas/analgesicas como Propofol, dormonid, fentanil, thiopental, precedex
  • Soros Compostos de manutenção que contenha KCL (Cloreto de potássio)
A Nutrição Parenteral Prolongada ou Total também utiliza de BI contínua.
Há também uma bomba de infusão específica para a dieta enteral:

Importante lembrar:
Para evitar erros em administrar as medicações e a dieta enteral, o fabricante disponibiliza equipos com coloração diferenciada. No caso da dieta enteral, o equipo tem toda sua coloração azulada e uma parte siliconada para encaixar no rolete da bomba, tendo sua saída com o encaixe diferenciado e uma tampinha azul para fechar a sonda caso desprezar a mesma, para colocar em sonda enteral, como ilustra na foto abaixo:

Para medicações e drogas que exigem proteção à luz por ter componentes fotossensíveis, a coloração é amarelada/alaranjada, conforme modelo de fabricante.


Conforme modelos de equipos fotossensíveis acima, a primeira foto corresponde à bomba de infusão Baxter, e a segunda foto corresponde à bomba de infusão Life Med. Claro que há outros diversos modelos de equipos e bombas, conforme a utilização dos mesmo no hospital, podem variar.
Cuidados de manuseio das Bombas de Infusão ao técnico de enfermagem
  • Fixar corretamente o aparelho ao suporte de soro e atentar para que o mesmo esteja realmente fixado para evitar quedas acidentais.
  • Sempre conectar a Bomba de Infusão à rede elétrica (110 ou 220V), para evitar danos à bateria interna, pois a mesma pode aguentar até 3 horas fora da tomada, e se manter sempre fora rede, pode acabar a eficiência da bateria, e também para caso precisar da mesma para transporte de paciente.
  • Fazer limpeza concorrente às bombas regularmente, limpando os canais, botões e roletes, evitando assim danos constantes aos aparelhos.
  • Ao instalar o equipo na bomba de infusão, atentar anteriormente ao preencher toda a extensão do equipo com a solução a ser infundida, assim evitando ter bolhas de ar em seu interior e assim não pausando a bomba a cada alerta de ar.
  • Nunca coloque o frasco do soro ou medicamento abaixo da bomba de infusão. Para manter um bom funcionamento da BI, mantenha a solução acima de 40cm do equipamento, evitando refluxo de solução ao copo do equipo e assim não alarmando o equipamento.
  • Atentar ao encaixe de silicone no rolete ou canal da bomba, de modo que os conectores fiquem justapostos e evite desencaixes acidentais, instalando primeiro o conector próximo ao frasco de soro e após o conector próximo ao paciente.
  • Verificar se o equipo já instalado a BI está conectado ao acesso do paciente.
  • Abrir a pinça corta fluxo do equipo.
  • Ligue a bomba, atentando pelo autoteste que o mesmo faz.
  • Programe a bomba de Infusão de acordo com o parâmetro exigido pelo médico ou pela prescrição médica.
  • Lembre-se que todo o equipo específico tem sua validade de 24 a 72 horas de uso contínuo (de acordo com cada protocolo hospitalar ou do fabricante), tomando o cuidado de sempre fechar a pinça corta fluxo antes de desconectar do paciente e do equipamento.
Fonte: https://experienciasdeumtecnicodeenfermagem.wordpress.com/entendendo-a-bomba-de-infusao/






segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Hemocultura

Hemocultura

Preparação para o exame:
Este exame não necessita de jejum, nem de preparação prévia.
Realização do exame:
A colheita do sangue exige uma técnica asséptica, ou seja, tem que haver o máximo de cuidado no manuseamento do material e ao colher, para diminuir o risco de contaminação da amostra de sangue com organismos da pele ou do material usado.
 O sangue é geralmente colhido de uma veia de cada braço, no mesmo local onde se colhe para uma análise normal ao sangue. O local da colheita deve ser bem desinfectado.
 Se o doente tiver um cateter numa veia de grande calibre (cateter central, de diálise), o médico pode pedir uma colheita de sangue pelo cateter e outra de uma veia do braço (periférico).
 O sangue é colocado com nova agulha, em frascos próprios, que contêm um meio de cultura específico e hermeticamente fechados.
 Após a colheita, aguarda-se no mínimo 24 horas para se poder verificar se há presença de microorganismos. Se houver, são colocados em novos meios de cultura para serem identificados e posteriormente feito um teste com vários antibióticos, afim de se poder verificar a qual eles reagem, são sensíveis e a quais são resistentes. Nesta situação é necessário cerca de 5 dias, para se obter o resultado.
 O médico prescreve um ou mais do que um dos antibióticos, dependendo da situação e número de microorganismos, a que o microorganismo é sensível.

Referencias: Manual de Enfermagem: Exames Laboratoriais e Diagnósticos – Editora – Editora Nova Guanabara
Fonte: http://www.conhecersaude.com/exames/h/3242-hemocultura.html